Chok points, China e a nova rota da seda

Há poucos dias o Presidente Donald Trump esteve na China, agora é a vez do Presidente Vladimir Putin lá ir. A China está cada vez mais a ser o palco da diplomacia mundial, com os líderes das grandes potencias a afirmar que têm com a China “níveis de entendimento sem precedentes”. Não será estranho o facto de Xi Jinping ter lançado o seu programa Silk and Belt Road, onde a atividade comercial e a influência (soft power) chinesa passou a ter uma pegada ao nível planetário. Algo que os portugueses fizeram há 600 anos atrás, e que ainda hoje mostra algumas referências com potencial positivo.

A expetativa com que nos deparamos com a visita de Putin a Pequim é, o que é que vai sair desses encontros? Isto porque dos encontros com os Estados Unidos (para além de “promessas” de compra de aviões comerciais) pouco ou nada saiu de concreto. A china é apologista de um Mundo multipolar e estável em termos de segurança, sendo também defensora do papel das Nações Unidas. A Rússia poderá (deverá) alinhar nesta perspectiva e eventualmente precipitar o fim do conflito na Ucrânia deixando os Estados Unidos fora da resolução e a braços com um conflito que iniciaram e um (contra)bloqueio no Estreito de Ormuz.

Porém, o Estreito de Ormuz não é o único Chok Point que a liberdade dos mares enfrenta. Há pelo menos nove “global chok points” a levar em consideração quando se trata da atividade marítima chinesa e, portanto, dos mercados mundiais.

Arte abstrata em planos de voo (Angola 1992)

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/UNDP) recebeu da missão da ONU em Angola – UNAVEM – a tarefa de organizar as “primeiras eleições livres Angolanas”, em 1992. Como o território do interior do País estava quase que completamente minado, o PNUD decidiu executar a maior campanha aérea que a ONU algumas tinha feito, para distribuir pessoal e material eleitoral, apoiar o acto eleitoral e retrair todo esse pessoal/material para Luanda no final.  

Coube-me fazer a gestão dos meios aéreos da ONU na Província do Moxico, com base no aeródromo de Luena. Para o efeito, tinha uma pequena frota constituída por um avião Cessna Caravan (rodesiano) e três helicópteros MI-17 (Russos).

Dos 12 tripulantes russos, só um falava Inglês. Quando este tripulante estava a voar, tinha de um desafio extra para comunicar com as restantes tripulações e dar-lhes as instruções para os voos que eram necessários executarem. Acabei por instituir umas folhas com uns bonequinhos e uns cubos desenhados. Os bonequinhos simbolizavam passageiros e os cubos simbolizavam carga. Depois desenhavam-se umas setas com os nomes das localidades para onde eles deveriam de voar e estava feita o “Plano de Voo” para cada missão. Desta forma, eu entregava-lhes, por exemplo, uma folha de papel com o seguinte grafismo:

– “ UN#05 21/09/92 – 10 X (desenho de um) boneco + 5 X (desenho de um) cubo = 150 kg- Luena 08H00 ↑ (seta) Ngugi -» Luena↓ ”

A seguir assinava, para dar formalismo às instruções. Esse grafismo significava:

– “O helicóptero UN número 05 deverá embarcar dez passageiros e cinco volumes de carga, descolando de Luena para a cidade de Ngugi, com uma descolagem prevista para as oito horas, da manhã do dia 21 de Setembro de 1992. Depois regressa de novo a Luena.”

 Eram as nossas Air Tasks [ordem de missão]. Para os trajetos mais complicados – com várias paragens, embarques/desembarques intermédios e locais cuja identificação eram as coordenadas do GPS – o plano de voo parecia uma obra do abstraccionista Volpi, mas funcionava.

O problema estava na leitura dos mapas. Os russos tinham cartas de navegação magnificamente atualizadas, com muito detalhe, mas estavam escritas em cirílico. Por exemplo, a aldeia de Ngugi, em cirílico, escrevia-se Hгущи. Isto constituía um problema acrescido para correlacionar os locais que a Comissão Eleitoral me tinha dado e o planeamento de voo para as tripulações. Tivemos de construir uma tabela de conversão dos sistemas de escrita Romano/Cirílico, com os nomes das principais as localidades da Província. Nem sempre batia certo mas as aproximações fonéticas também contavam. Em seguida tiravam-se as coordenadas do local, metiam-se no GPS e lá iam eles. Em 90% dos casos tivemos sucesso com este processo, e os passageiros também ajudavam.

18 de maio – Eventos históricos da aviação militar portuguesa

1974 – É definido o que são “Unidades de Base”. Assim, serão consideradas Unidades de Base, as Bases Aéreas; Aeródromos Base; Grupos de Deteção, Alerta e Conduta da Interceção; Depósito Geral de Material da Força Aérea; e Depósito de Adidos da Força Aérea (Despacho Interpretativo do CEMFA OA 5, 1ª Série).

Aguardente expresso

Durante as missões da ONU acontecem inúmeras situações anedóticas dignas de registo. As missões da Força Aérea não são exceção … muitíssimo pelo contrário.

Recordo uma certa manhã, na missão da ONU em Angola (1992) para apoiar com meios aéreos as Primeiras Eleições Livres, após as aeronaves terem partido como um bando de pássaros do aeródromo de Luena, ter-me sentado para descansar e ligar o leitor de cassetes para ouvir uma música suave. Nessa altura verifiquei que as pilhas estavam gastas. Abri o aparelho e iniciei o procedimento de troca das pilhas. Um miúdo que andava por ali na placa, a tentar catar os desperdícios de combustível de avião Jet A-1, aproximou-se e observou cuidadosamente todos os meus movimentos. Quando eu me preparava para guardar as pilhas velhas, a criança dirigiu-me a palavra:

“Sôr, dá-me essas pilhas.” – Pediu ele.

– “Companheiro, estas pilhas estão gastas, já não funcionam, perderam a electricidade; entendes?” – Respondi-lhe.

“Não faz mal, Sôr. Dá-me as pilhas, por favor”. – Insistiu o miúdo.

“Ho rapaz, eu dou-te as pilhas mas elas não te vão servir de nada. Não consegues tirar nada daí de dentro” – retorqui enquanto lhe dava as três pilhas AA do leitor de cassetes..

“Consigo, consigo“ – disse ele – abro-as com uma catana e meto-as dentro de um panelo com fruta e farelo de milho a fermentar, para fazer a Caxipembe [aguardente de milho]. O ácido das pilhas apressa as coisas e amanhã o Caxipembe já está pronto para eu vender no bazar!”

“Ora toma!” – Pensei eu em voz alta – “Acabaste de receber uma aula de química aplicada, de um puto com 12 anos! Então é assim que vocês fazem Caxipembe Expresso?”

Mas a criança já tinha descolado em direção aos portões do aeródromo, com as três pilhas na mão direita e uma lata com Jet A-1 na outra. Fiquei apreensivo com a qualidade da poderosa aguardente que tinha estado a beber, com os meus amigos Russos, numa das serenatas dessa semana.

17 de maio – Eventos históricos da aviação militar portuguesa

1917 – Os primeiros pilotos formados em Portugal recebem os seus diplomas e asas ao peito, numa cerimónia que decorreu na Sala Algarve da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Magnífico vitral na Sociedade Geográfica de Lisboa, dedicado aos primeiros aviadores e às viagens aéreas históricas.

13º aniversário do Núcleo do Seixal da Liga dos Combatentes

No dia 16 de maio de 2026 celebrou-se o 13º aniversário do Núcleo do Seixal da Liga dos Combatentes. Embora o Núcleo do Seixal só tenha 13 anos de existência, a Liga é centenária e conta com 127 núcleos espalhados pelo território Nacional e estrangeiro. Efetivamente, onde haja uma comunidade portuguesa da diáspora, provavelmente haverá um núcleo da Liga dos Combatentes e já há cerca de 15 núcleos no estrangeiro.

A cerimónia de 2026 começou com uma missa na Igreja do Seixal, onde se prestou homenagem aos Combatentes que faleceram. Faleceram mas não morreram, porque continuam a ser recordados pelos seus camaradas. Houve condecorações de antigos combatentes e discursos emocionados.

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Depois da missa as cerimónias continuaram na Praça dos Mártires da Liberdade, no Seixal, que contou com bastante público. A Marinha Portuguesa providenciou as Honras Militares – com uma secção de fuzileiro a fazer ordem unida a pé firme e um terno de clarins. A cerimónia contou com representantes de (quase) todas as freguesias do município do Seixal, e o próprio Presidente da Câmara Municipal do Concelho – Paulo Silva. A Liga fez-se representar pelo seu Secretário-Geral – Coronel Hilário – e o Núcleo do Seixal esteve em peso no local, liderado pelo seu Presidente – Coronel Luís Martins.

No final houve um almoço de confraternização, que contou com cerca de 150 comensais que partilharam as suas histórias, ambições e frustrações.

2 barras Twix nos pulmões, e não são de chocolate

Os territórios onde decorrem as missões de Apoio à Paz das Nações Unidas, para além da perigosidade no tocante ao eventual conflito armado que esteja a decorrer no local, envolvem também potenciais riscos para a saúde.

Durante o programa de iniciação à missão UNAMA – Afeganistão – que decorre em Cabul aquando da chegada de um novo “capacete azul”,  um instrutor veterano disse-me:

– “A primeira coisa que tens de comprar é um par de shemaghs. São os lenços árabes que se usam à volta do pescoço. São particularmente uteis!”.

– “Sei!… O examinador do teste de condução disse-me para usar um shemagh sobre os ombros, enquanto conduzia em Cabul, para ocultar a farda!” – Respondi.

– “Sem dúvida.” – Retorquiu o veterano. – “Mas servem para muito mais que isso. São óptimos para se colocarem sobre uma ferida aberta e estancar o sangue ou para servirem de torniquetes; servem de toalha; de almofada; de filtro de água; de saco improvisado; de defesa se souberes usar uma funda; etc. Contudo, aqui em Cabul, servem acima de tudo para tapar as vias respiratórias porque o ar está sempre carregado de pó, sendo que 20% desse pó é excremento humano vaporizado.”

– “Não entendi!” – Disse eu estupefacto.

– “Afirmativo companheiro. Em Cabul não há sistema de esgoto público e nem todas as habitações têm uma casa de banho. Os dejetos humanos são recolhidos das “cagadeiras” públicas, ou das fossas sépticas dos prédios, para camiões cisterna que levam o conteúdo algures para os arredores da Cidade e depois são despejados a céu aberto. Claro está que quando chega o Verão, tudo aquilo seca e o vento forte das tempestades de pó faz o resto do trabalho. Penso que foram os Finlandeses que fizeram um estudo sobre os seus militares que tinham passado por Cabul. O resultado desse estudo indicava que quem estivesse um ano nesta Cidade, regressava a casa com o equivalente a 200 gramas de pó nos pulmões. É certo que depois aquilo sai com a expectoração, …, mas ninguém gosta de regressar a casa com duas barras de Twix nos pulmões … e não são feitas de chocolate!”

Vendo a minha expressão de pasmo o neozelandês rematou o discurso:

– “Mate; não fiques assim tão admirado, em Cabul só há distribuição de eletricidade publica desde 2009; antes disso ou tinhas um gerador privado, ou tinhas velas e candeeiros a petróleo.

15 de maio – Eventos históricos da aviação militar portuguesa

1980 – É publicado o Acórdão sobre o Acordo Luso-alemão para a Base Aérea de Beja (Acórdão AO 1ª Série p. 569)

1986 – É aprovado o modelo da Bandeira da Força Aérea, sob a forma de estandarte para desfile (Despacho 12/86 do CEMFA).

1986 – É aprovado o modelo do Brasão de Armas completo da Força Aérea (Despacho 15/86 do CEMFA).

1986 – É aprovado o modelo do Brasão de Armas simples da Força Aérea (Despacho 14/86 do CEMFA).

1986 – É aprovado o modelo da Bandeira da Força Aérea para arvorar (Despacho 15/86 do CEMFA).

1986 – É aprovado o modelo do emblema da Força Aérea (Despacho 16/86 do CEMF).

#forcaaerea

15 de maio – Eventos históricos da aviação militar portuguesa

1980 – É publicado o Acórdão sobre o Acordo Luso-alemão para a Base Aérea de Beja (Acórdão AO 1ª Série p. 569)

1986 – É aprovado o modelo da Bandeira da Força Aérea, sob a forma de estandarte para desfile (Despacho 12/86 do CEMFA).

1986 – É aprovado o modelo do Brasão de Armas completo da Força Aérea (Despacho 15/86 do CEMFA).

1986 – É aprovado o modelo do Brasão de Armas simples da Força Aérea (Despacho 14/86 do CEMFA).

1986 – É aprovado o modelo da Bandeira da Força Aérea para arvorar (Despacho 15/86 do CEMFA).

1986 – É aprovado o modelo do emblema da Força Aérea (Despacho 16/86 do CEMF).

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A herança dos “Roncos” (Esquadra 101)

Eventos históricos da aviação militar portuguesa, neste dia 14 de maio:

1914 – É aprovada a proposta de lei que criou a Aeronáutica Militar, sendo Ministro da Guerra o general Pereira d’Eça e Presidente da República o Dr. Manuel de Arriaga.

É também criada a Escola Aeronáutica Militar, que compreendia os serviços de aerostação e de aviação. (Lei 162 DG 74 Série 1). Esta foi a Unidade militar que mais tarde (1978) viria a dar origem à Esquadra 101, que atualmente usa o cognome “Roncos” e voa o Epsilon TB-30.

1921 – É inaugurada a Base Aérea de Sintra (posteriormente designada de Base Aérea 1), na Granja do Marquês (em Pero Pinheiro). Esta nova Unidade recebeu o pessoal e os meios aéreos (e até as estruturas dos hangares) que estavam em Vila Nova da Rainha. Os três Hangares ditos “históricos” da BA1, e que agora estão entregues ao Museu do Ar, têm essa designação exatamente porque as suas estruturas fazem parte da história da aviação militar portuguesa.

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