Ajuda Humanitária aos efeitos dos sismos na Venezuela

No dia 24 de junho de 2026, estive na Liga dos Combatentes a falar sobre as Operações de Paz e Humanitárias. NO dia 25 de junho fomos surpreendidos com a dramática situação na Venezuela, onde ocorreram fortes sismos que geraram morte e destruição de grande magnitude. Solidário com a Venezuela, o Governo de Portugal já disse que provavelmente irá enviar ajuda Humanitária, algo que irá requerer (obviamente) a postura Ex Mero Motu (à primeira solicitação) da Força Aérea. Para agravar a situação na Venezuela, o aeroporto internacional da Capital foi afetado, requerendo nesse caso aeronaves táticas que usem “pistas curtas, ou mal preparadas”.

Usado as capacidades únicas de projeção, velocidade, prontidão, flexibilidade, a Força Aérea Portuguesa foi o primeiro Ramo das Forças Armadas a fazer missões Humanitárias internacionais, tanto a nível Bilateral (como será o este caso da Venezuela) quanto para as organizações internacionais (ONU, NATO, EU, etc.). Fá-lo com aeronaves, com “botas no terreno” e com equipamentos com características de duplo uso, providenciando Apoio Humanitário aos mais necessitados. Contas feitas, nos últimos 39 anos, a FA aprontou e destacou aeronaves e militares para operarem em cerca de 70% do Planeta, cobrindo vários mares internacionais e territórios de 49 países, em cerca de 232 missões humanitárias, de apoio à paz e/ou de resolução de crises.

Down-Wash de helicóptero versus telhados de colmo

Em 1992, enquanto cumpria missão no Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD/UNDP) ao serviço da UNAVEM em Angola para gerir a actividade aérea da ONU na Província de Moxico/Luena, tinha de coordenar as necessidades de transporte aéreo da Comissão Eleitoral do Moxico com a capacidade de meios aéreos que a ONU tinha em Luena. Todos os finais de tarde a Comissão eleitoral providenciava as suas necessidades de voos para o dia seguinte, informando quais eram os destinos no vasto território do Moxico (a maior Província Angolana). Em muitas situações, esses locais não passavam de ajuntamentos de cubatas, os quais nem sequer apareciam nos detalhados mapas que as tripulações disponham. Para resolver essa restrição, havia a necessidade de alguém a bordo a funcionar como intérprete/navegador, questionando os habitantes locais sobre a forma de chegar a essas povoações desconhecidas. O eleito era, obviamente, o (único) Português do team aeronáutico da ONU em Luena.

Um certo dia, num desses voos em busca da “aldeia desconhecida”, voando um helicóptero MI-17 russo, aterrámos numa povoação para perguntar onde ficava uma outra aldeia onde deveríamos deixar material para o dia da votação. Quando estávamos prestes a tocar com as rodas no terreno reparei que os populares gesticulavam muito aflitos, tentando dizer para não aterramos ali. O piloto manobrou para pousar noutro local e, quando finalmente consegui falar com alguém, descobrimos que íamos colocar o pesado helicóptero num campo minado pela guerra. Após recebermos indicações sobre o nosso destino, descolámos de novo e lá encontrámos a povoação.

Aquela comuna era uma significativa congregação de cubatas, feitas de capim seco, barro e paus entrelaçados, e o piloto decidiu fazer uma volta de reconhecimento para escolher um local de aterragem. Após seleccionar o sítio ideal, no centro da aldeia, fizemos uma aproximação baixa, em velocidade reduzida, com o pesado MI-17 a passar sobre os “telhados das casas”. O sítio não era espaçoso, pelo que a tripulação estava muito atenta ao procedimento e ninguém estava a prestar atenção aos arredores. De repente, ficámos envoltos em muita poeira, paus, pilhas de palha, papeis e penas de aves voando em redor do MI-17. O piloto Russo, jovem urbano habituado a coberturas de telha, não levou em consideração o material de construção daquelas habitações e perdeu o contacto visual com o terreno. Aflito com aquele desenvolvimento, o piloto chamou-me através do intercomunicador, perguntando o que estava acontecendo.

Eu limitei-me a responder: ” Check your six” (olha às tuas 6 horas)”

Uma fraseologia aeronáutica da Segunda Guerra Mundial que significa “olha para trás”

Tínhamos destruído tudo à nossa passagem. Podia-se identificar o rumo da nossa aproximação pela quantidade de capoeiras e telhados de colmo destruídos pelo down-wash do rotor do helicóptero.

No chão, a população estava muito irritada, com a gente gesticulando de forma hostil. Nós avaliamos a situação e entendeu-se que não havia nenhuma maneira para aterrar naquele local, sem colocar em risco a segurança da população, e a nossa própria segurança após aterrarmos.

Abortámos a missão e regressámos a Luena. O relatório da missão passou a constar:

“missão abortada por razões de segurança”.

Aquela comuna não votou em 1992.

22 de junho – Eventos históricos da aviação militar portuguesa

1941 – A Esquadrilha de Caça nr.2, Lajes – Açores – passou a estar operacional emitindo a sua primeira Ordem de Serviço.

1961 – É extinto o cargo de Subsecretário de Estado da Aeronáutica, passando as suas funções a serem desempenhadas pela nova Secretaria de Estado da Aeronáutica (Decreto-Lei nº 43748 DG nº 143 Série 1).

20 de junho – Eventos históricos da aviação portuguesa

1540 – O barbeiro sangrador João Torto, terá saltado do alto da Sé de Viseu, com umas asas improvisadas, acabando por ser a primeira vítima do “mais pesado do que o ar” em Portugal.

1975 – Criação da Comissão Liquidatária da Guiné (Despacho 26/75 do CEMFA AO 1ª Série p. 386).

1989 – É aprovada a designação da nova unidade de Fóia: Esquadra de Vigilância e Deteção nº11 – ESQ. VD11 (Despacho do CEMFA OFA 1ª Série p. 437).

O desporto no género feminino no países Lusófonos

Saiu finalmente o livro da Palgrave que aborda uma ´serie de aspetos (político/sociais) do género feminino nos nove países da CPLP. Tocou-me colaborar no capítulo do desporto feminino. Foi um desafio relevante, com entrevista presenciais e remotas com desportistas, comités olímpicos, responsáveis políticos etc. Quase um ano de investigação que me levou a prender coisas que não fazia ideia.

Agradeço ao Prof Dr. Francisco Leandro – um dos responsáveis pela edição – a oportunidade que me foi dada.

18 de junho 1963 – primeiro voo do Alouette III português

1963 – Voa o primeiro AL III com registro Português. Dizem que Portugal transformou um helicóptero utilitário numa aeronave de combate muito eficaz que, durante 57 anos fez mais de 300.000 horas de voo.

Portugal viria a operar 142 AL III em África, distribuídos por 5 esquadras. ESQ 94, BA9 Luanda (Angola) Moscas; ESQ 122, BA12 Bissalanca (Guiné) Canibais; ESQ 402, AB4 Henrique Carvalho (Angola) Saltimbancos;  ESQ 503, AB5 Nacala (Moçambique) Índios; ESQ 703, AB7 Tete (Moçambique) Vampiros; e os “Lobos Maus” que eram a versão do AL III transformado em “helicanhão”. Durante a Guerra do Ultramar a Força Aérea perdeu 30 AL III com os respetivos pilotos.

O último voo do AL III foi a 17 de junho de 2020.

17 de junho – Eventos históricos da aviação militar portuguesa

1922 – Chegada ao Rio de Janeiro de Sacadura Cabral e Gago Coutinho, a bordo do hidroavião Fairey F III-D nº17, batizado com o nome Santa Cruz.

1953 – Centro de Aviação Naval Sacadura Cabral, sito na península do Montijo, passa a designar-se Base Aérea nr. 6.

14 de junho – eventos históricos da aviação militar portuguesa

1924 – Considerando a necessidade de remodelar o Serviço de Aeronáutica Militar, face aos acontecimentos da altura (postura revolucionária com empenhamento direto contra o governo da república de certas áreas do Exército entre elas a aviação) é decretado que sejam extintos os quadros permanentes de todas as formações do Serviço Aeronáutico Militar. Os serviços a cargo da Direção de Aeronáutica ficam sob a alçada da Secretaria da Guerra. Os serviços do Parque de Material Aeronáutico ficam adstritos ao Parque Automóvel Militar. As unidades do Serviço Aeronáutico e a Escola Militar de Aviação, à exceção da Companhia de Aerosteiros que mantém a sua organização atual, constituirão unidades de depósito (Decreto 9801 OE 6, 1ª Série de 18 de junho).

1941 – A Esquadrilha de Caça nr1, Sant’Ana, Passa a estar operacional nos Açores, emitindo a sua primeira Ordem de Serviço.

Sobrevive para continuar a operar!

Nas operações de apoio à paz, o ponto de menor receio coincide com o ponto de maior perigo.

Os veteranos operacionais sabem a coragem não se traduz em ações temerárias, mas sim no reconhecimento do medo, arranjando forma de o contornar para continuarem a operar. O excesso de confiança é o maior produtor de heróis mortos.

Heróis prematuramente mortos não ajudam os que cá ficam a aprenderem com os seus erros e sucessos (Lessons Learned); quando muito são uteis para nomear ruas e avenidas quando o caixão regressa a casa. O mantra do peacekeeper é: “sobrevive para continuar a operar”!

Há uma grande diferença entre evitarmos o contacto de forma cobarde, e tomarmos medidas preventivas para continuar a operar. No final, o que conta é atingirmos o objetivo, e não cumprirmos as tarefas inicialmente planeadas.

Em Sarajevo (1992-1995) o excesso de confiança, a inexperiência resultante da falta de “lições aprendidas” e a ausência de medidas preventivas atempadas foram os grandes fornecedores dos cemitérios locais.

Vamos discutir este e outros assuntos na tertúlia de dia 24 de junho, no Museu do Combatente. Apareçam!

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A opinião pública na Primeira Guerra Mundial

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Neste livro escrito pelo Coronel Nuno Mira Vaz, desmistifica-se o conceito de que Portugal é um “País de brandos costumes”. Após a queda da monarquia o antagonismo político não se ficava pela violência das palavras, e a polarização das massas era tal que corria sangue pelo chão em diversas ocasiões. Muito sangue! Milicias armadas, unidades militares politizadas, órgãos de comunicação social sectários e estimuladores de cisões sociais, e a ameaça de virmos a perder as nossas colónias para os vencedores da Grande Guerra. Tudo isto se misturava num efervescente caldeirão que acabou por empurrar os nossos jovens para a Primeira Guerra Mundial.

No tocante aos pobres militares que marcharam para a Guerra, tivesse sido em África (ex-colónias) ou na Europa, foi o perfeito abandono. Uma guia de marcha nas mãos e depois … “desenrasquem-se”; algo que os lusitanos sempre souberam fazer, mas que, em cenário de guerra, teve (altos) custos no número das baixas Nacionais.

Recomendo vivamente (se foram capazes de o encontrar)

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