17 de junho – Eventos históricos da aviação militar portuguesa

1922 – Chegada ao Rio de Janeiro de Sacadura Cabral e Gago Coutinho, a bordo do hidroavião Fairey F III-D nº17, batizado com o nome Santa Cruz.

1953 – Centro de Aviação Naval Sacadura Cabral, sito na península do Montijo, passa a designar-se Base Aérea nr. 6.

14 de junho – eventos históricos da aviação militar portuguesa

1924 – Considerando a necessidade de remodelar o Serviço de Aeronáutica Militar, face aos acontecimentos da altura (postura revolucionária com empenhamento direto contra o governo da república de certas áreas do Exército entre elas a aviação) é decretado que sejam extintos os quadros permanentes de todas as formações do Serviço Aeronáutico Militar. Os serviços a cargo da Direção de Aeronáutica ficam sob a alçada da Secretaria da Guerra. Os serviços do Parque de Material Aeronáutico ficam adstritos ao Parque Automóvel Militar. As unidades do Serviço Aeronáutico e a Escola Militar de Aviação, à exceção da Companhia de Aerosteiros que mantém a sua organização atual, constituirão unidades de depósito (Decreto 9801 OE 6, 1ª Série de 18 de junho).

1941 – A Esquadrilha de Caça nr1, Sant’Ana, Passa a estar operacional nos Açores, emitindo a sua primeira Ordem de Serviço.

Sobrevive para continuar a operar!

Nas operações de apoio à paz, o ponto de menor receio coincide com o ponto de maior perigo.

Os veteranos operacionais sabem a coragem não se traduz em ações temerárias, mas sim no reconhecimento do medo, arranjando forma de o contornar para continuarem a operar. O excesso de confiança é o maior produtor de heróis mortos.

Heróis prematuramente mortos não ajudam os que cá ficam a aprenderem com os seus erros e sucessos (Lessons Learned); quando muito são uteis para nomear ruas e avenidas quando o caixão regressa a casa. O mantra do peacekeeper é: “sobrevive para continuar a operar”!

Há uma grande diferença entre evitarmos o contacto de forma cobarde, e tomarmos medidas preventivas para continuar a operar. No final, o que conta é atingirmos o objetivo, e não cumprirmos as tarefas inicialmente planeadas.

Em Sarajevo (1992-1995) o excesso de confiança, a inexperiência resultante da falta de “lições aprendidas” e a ausência de medidas preventivas atempadas foram os grandes fornecedores dos cemitérios locais.

Vamos discutir este e outros assuntos na tertúlia de dia 24 de junho, no Museu do Combatente. Apareçam!

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A opinião pública na Primeira Guerra Mundial

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Neste livro escrito pelo Coronel Nuno Mira Vaz, desmistifica-se o conceito de que Portugal é um “País de brandos costumes”. Após a queda da monarquia o antagonismo político não se ficava pela violência das palavras, e a polarização das massas era tal que corria sangue pelo chão em diversas ocasiões. Muito sangue! Milicias armadas, unidades militares politizadas, órgãos de comunicação social sectários e estimuladores de cisões sociais, e a ameaça de virmos a perder as nossas colónias para os vencedores da Grande Guerra. Tudo isto se misturava num efervescente caldeirão que acabou por empurrar os nossos jovens para a Primeira Guerra Mundial.

No tocante aos pobres militares que marcharam para a Guerra, tivesse sido em África (ex-colónias) ou na Europa, foi o perfeito abandono. Uma guia de marcha nas mãos e depois … “desenrasquem-se”; algo que os lusitanos sempre souberam fazer, mas que, em cenário de guerra, teve (altos) custos no número das baixas Nacionais.

Recomendo vivamente (se foram capazes de o encontrar)

Pergunta antes de mijares

Em 1992, após termos recebido, em Luanda, as instruções sobre a missão que era atribuída aos 10 oficiais da FAP que partiram para Angola em apoio às Nações Unidas, distribuíram-nos por 10 aeródromos provinciais no extenso território Angolano. Calhou-me a Província do Moxico com aeródromo em Luena (antigo Luso). No dia seguinte, um avião da ONU fez um longo voo com diferentes destinos, para largar os novos “Oficiais de ligação aérea”.

Quando aterrámos em Luena, e depois de estacionarmos na placa, o piloto cortou os motores e saiu do cockpit, informando-nos que a aeronave iria ser reabastecida. Saí do avião e recolhia a minha bagagem porque era o meu destino. Um carro de reabastecimento aproximou-se a aeronave foi rapidamente reabastecida. Após assinar uns quantos papéis o piloto dirigiu-me a palavra dizendo o que já havia dito aos outros que tinham sido “largados” anteriormente:

– “Aguarde aqui tranquilo que já o virão recolher.”

Ato contínuo fechou a porta do King Air, pôs os motores em marcha, rolou para a pista e descolou. O próximo Capitão da FAP sairia em Saurimo e o último no Cafunfo.

Enquanto esperava na placa por alguém da ONU para me recolher, foram aparecendo algumas crianças que deambulavam por ali. Entretanto, resolvi aliviar a pressão na bexiga e, cumprindo o procedimento aeronáutico mundialmente conhecido para aviadores masculinos, voltei as costas aos hangares; afastei-me das crianças e da área pavimentada da placa; entrei nas bermas, bem para dentro da zona de terra; abri o fecho inferior do fato de voo e urinei. Foi nessa altura que tive a minha primeira experiência de zona de guerra: – Um dos miúdos veio até à berma da zona pavimentada e gritou, gesticulando muito aflito:

– “Sôr, sôr sai daí, mas vem pelo mesmo caminho e sempre em cima das ervas”.

Eu estaria a pouco menos de 20 metros da criança. Compus-me, voltei-me e, sorrindo, perguntei-lhe:

– “Então porquê é que eu tenho de ir sempre por cima das ervas?”

– “Tché?! Porque essas ervas não crescem em cima das minas!” – Respondeu o garoto, estupefacto com a minha ignorância.

Nessa altura o meu sorriso idiota caiu ao chão, e tive outra vez muita vontade de urinar. Eu estava na zona minada de proteção ao aeródromo, a 20 metros da zona pavimentada. De repente, aqueles 20 metros tinham ficado mais distantes do que à vinda. Parecia que os tufos de ervas se tinham afastado entre si no meio da terra avermelhada. Senti um suor frio escorrer pela coluna vertebral e um nó na boca do estomago. Respirei fundo, observei o chão em redor e reconheci as minhas pegadas. Nem toda a gente calcava botas de voo naquele local. Regressei à placa, saltando entre tufos e pegadas, com o corpo encolhido, os dentes cerrados e os olhos meio fechados … supondo que iria doer menos assim, caso pisasse uma mina!?!  

Quando, finalmente, pulei para cima do asfalto, ganhei nova vida. O coração batia descompassadamente e tinha a respiração muito acelerada. Assim que tive a oportunidade, andei a colocar sinais no local, onde escrevi à mão: – “Danger Mines” (Perigo minas).

Portugal nas missões de Paz – Angola 92 e Bósnia 95

O Presidente da Liga dos Combatentes – Tenente-General Chito Rodrigues – e o autor – Coronel Paulo Gonçalves – têm a honra de convidar V.Exa. para a tertúlia “Portugal nas missões de Paz – Angola 92 e Bósnia 95”, que terá lugar no Museu do Combatente/Forte do Bom Sucesso, sito na Avenida Brasília (Belém – Lisboa), no próximo dia 24 de junho de 2026, Quarta-feira, pelas 14h30.

A primeira missão com um (pequeno) contingente Forças Armadas Portuguesas ao serviço da ONU após a queda do Muro de Berlim, e a primeira missão das Forças Armadas Portuguesas para a verificação (no terreno) de uma No Fly Zone, imposta pela ONU, enquanto decorria um violento conflito armado entre fações opositoras. Ambas executadas pela Força Aérea Portuguesa.

Cumprindo o lema lema EX MERO MOTU, (“à primeira solicitação“) a FAP já participou em missões Humanitárias e de Apoio à Paz em cerca de 73% do Planeta.

Antes do estabelecimento da Força Aérea, a Aeronáutica Militar admitia até 20% de analfabetos.

No início dos anos 20 do Séc. XX, cerca de 75% da população portuguesa era analfabeta. Existem reportes que, no Corpo Expedicionário Português na Flandres (Primeira Grande Guerra) somente 3 soldados por batalhão saberiam ler e escrever, e era missão deles ajudar os camaradas na correspondência com a família.

O Estado novo introduziu a escolaridade nas zonas rurais, mas, mesmo assim, a triste realidade portuguesa ainda tinha uma grande quantidade da sua população analfabeta. Prova disso está na Lei de recrutamento para serviços militares de aeronáutica, promulgada a 2 de junho de 1952 (um mês antes do estabelecimento da Força Aérea Portuguesa) onde se prevê que todos os indivíduos apurados que sejam possuidores de um certificado de piloto de avião, ou exerçam a sua atividade em empresas industriais especializadas em material aeronáutico serão obrigatoriamente destinados à Aeronáutica Militar. Os mancebos devem de estar isentos de encargos familiares e ter uma altura mínima de 1,58mt, e termina estipulando que a Aeronáutica Militar não poderá ter mais de 20% de analfabetos (Lei 2056 DG 122 Série 1).

A “Lista de Preços Taliban”

Em 2012, aquando do check-in na missão das Nações Unidas em Cabul-Afeganistão (UNAMA), uma das coisas que era dita logo à entrada era:

– “Mantenham sempre uma atitude vigilante em relação à vossa segurança, porque a vossa cabeça vale 20 000 Dólares Americanos (USD)”.

Era quanto o Governo Sombra Taliban pagava pela captura e decapitação de um oficial estrangeiro. Essa quantia fez-me questionar se havia uma “Lista de Preços” para pagamentos dos Taliban fui surpreendido com um arrastado “Yesss”. Efectivamente, os Taliban usavam com mestria as redes sociais para as suas campanhas de propaganda, distorcendo o conceito Afegão de Mujahedin, tornando-o numa espécie de “Jedi” religioso Invencível – um “Mu-Jedi-in” – atraindo muitos jovens desempregados, sem educação e esfomeados para a sua causa. A glória máxima que um Mu-Jedi-in poderia ambicionar era ser um “Mártir” taliban.

Eles não receavam a morte … pelo contrário, desejavam.na.

Contudo, havia um aspecto mais pático e materialista a adicionar nas acções de recrutamento dos Taliban – o pagamento das acções de combate (que, em caso de morte seriam pagas à família). Um insurgente Taliban ganhava, em média, 10 USD por dia. Mas essa verba poderia ser significativamente aumentada, de acordo com uma lista publicada num dos sítios da internet dos Taliban.

200 – Pelo ataque e destruição de uma ponte;

200 a 400 USD – Pelo assassinato de um professor;

                900 USD – Por um ataque a uma escola que previna a execução de aulas;

                1 000 USD – Por cada soldado (baixa patente) estrangeiro morto;

                6 000 USD – Pela destruição em combate de um veículo da ISAF;

7 500 USD – Pelo envenenamento de militares/polícias Afegãos no seu posto;

                10 000 USD – Pelo bombardeamento (rockets) de uma cidade;

                10 000 USD – Pela destruição complete de uma escola construída pela ISAF;

e … 20 000 USD – Pela captura e decapitação de um oficial estrangeiro.

Num País cujas raízes seculares estão ligadas à Guerra, com uma cultura de honra e masculinidade muito medida em sangue, onde qualquer homem tem uma arma à disposição, receber valores como os acima apresentados faz pensar muita gente … especialmente se levarmos em consideração o bem-estar da respectiva família. Algo muitíssimo tentador, independentemente da simpatia que os afegãos pudessem ter pela (forte) presença estrangeira no seu território.

Mas isso, são águas passadas … ou não serão? É que o Irão fica mesmo ali ao lado, e o Afeganistão fazia parte do Império Persa. Quem pensar em “Botas no Terreno” iraniano lembre-se que, na cultura islâmica, a morte em combate por Alá é considerada um “martírio”; e os mártires têm as graças do Altíssimo.

Obrigado Força Aérea

Couço (Concelho de Coruche) 30MAI2026, 17H10

A vila do Couço, no limite ribatejano com o Alentejo, tem vindo a sofrer com as altas temperaturas deste mês de maio, e a preocupação com os incêndios é notória. Os homens credenciados em limpezas de terrenos andam derreados e têm as agendas cheias. A população protege-se em casa ou em locais públicos refrigerados, evitando as horas mais quentes do dia. Porém, naquela tarde houve um som grave que começou a crescer nos ares do Couço. Quem conhecia sabia que estava um C-130 em aproximação. Quem não conhecia olhava para o ar, em busca de uma justificação daquele alarido. De repente, surgiu um grande avião cinzento a baixa altitude, com os seus quatro motores a vibrarem com cima da Vila. As pessoas correram para a rua e acenaram à aeronave. “Que bonito” disse uma cachopa, “Ganda maquinão” retorquiu Zé das podas, ainda com a caneca de cerveja na mão. De repente, o C-130 mete a asa esquerda em baixo e inicia uma volta sobre a vila, mantendo a baixa altitude. “Eh lá; temos show”, “será que nos viu a dizer adeus?”

O C-130 volteia e passa exatamente sobre o mesmo ponto, na parte oeste da vila, onde há uns terrenos baldios junto as casas limítrofes do Couço. “Mau! Aquilo não pode ser show, porque não mora ali ninguém”.

Nesse instante, ergueu-se uma forte coluna de fumo no local que o avião observava. “FOGO!” “ACUDAM! O AVIÃO DESCOBRIU UM FOCO DE INCÊNDIO!”

De repente toda a gente saia do seu conforto para ajudar. Mas não houve necessidade de grande intervenção popular, porque em menos de nada estava um helicóptero sobre o local, guiado pelo C-130. Atrás desse helicóptero veio outro com um balde suspenso. O “show” passou a ser a ida e volta dos helicópteros que se abasteciam de água no Rio Sorraia, do outro lado da estrada para o Couço, e em qualquer coisa como seis viagens o fogo estava extinto. Era a vez dos bombeiros (finalmente) aparecerem, para se certificarem que não iria haver reacendimentos.

Moral da História, a tripulação do C-130 não só alertou e guiou os helicópteros para a extinção do fogo, como também (sem se aperceberem disso) alertou e guiou a população da Vila para a intervenção popular, que não foi necessário, mas estava pronta para atuar.

“Irra: esta foi por pouco!” disse alguém no final; “Isto dos fogos afinal funciona!” disse outro; “Bem podemos agradecer à Força Aérea, porque senão agora estávamos era a apagar o fogo nas nossas casas!” rematou aquele que conhecia o som de um C-130 em aproximação.

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