O massacre de Srebrenica

Em julho de 1995 o assunto mais sério que se debatia na ONU na ex-Jugoslávia (UNPROFOR) eram os acontecimentos de Srebrenica.

No início da guerra na Bósnia, em 1992, a pequena Cidade de Srebrenica estava dentro dos domínios da República Sérvia da Bósnia, e sob controlo das forças do Exército Sérvio (VRS). Posteriormente foi tomada pelo Exército (muçulmano) da Federação da República da Bósnia Herzegovina (ABiH), tornando-se num enclave muçulmano rodado por território dominado por sérvios. Srebrenica era um dos três enclaves muçulmanos (Gorazde, Zepa e Srebrenica) dentro de território Sérvio, e sabia-se que o ABiH queria unir essas localidades a Sarajevo e a Tuzla. Não conseguindo atingir o seu objetivo pela força militar, o ABiH deixou as populações que habitavam nessas localidades aos cuidados do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (UNHCR) que tentava mitigar as restrições de cidades sitiadas em termos do apoio de bens essenciais à sobrevivência. Em 1993 a situação era tão dramática que a ONU declarou Srebrenica como um santuário de proteção ONU (UN Safe Area), enviando capacetes azuis para o enclave.

Srebrenica – Foto de Miguel Machado

No início de 1995, a representação da ONU em Srebrenica passou a ser assegurada por um Batalhão Holandês, com a missão de proteger o enclave. Contudo, a presença desses militares era meramente simbólica, uma vez que estavam mal equipados para combate e nem sequer tinham Regras de Empenhamento (ROE), definidas superiormente na ONU, que os autorizassem a usar, se necessário, a “força letal” para proteger a população civil.

Entretanto, na vizinha Croácia, ocorreu algo que teve tremendas repercussões na Bósnia Herzegovina – a Operação Flash – e a conquista militar pelas Forças Armadas Croatas do Sector Sérvio da Krajina Oeste. Este evento teve como reflexo dois aspectos com impacto directo nas operações militares da Bósnia. Primeiro o conceito de invencibilidade Sérvia caiu por terra, encorajando os muçulmanos bósnios a acções mais temerosas contra os sérvios. Por outro lado, as populações sérvias dos outros sectores das Krajinas Croatas, receosas de terem o mesmo desfecho do Sector Oeste, começaram uma migração em massa para a Bósnia, incrementando exponencialmente a disponibilidade de mais combatentes para Exército Sérvio Bósnio, cujo principal problema era exactamente a falta de manpower.

A UNPROFOR começou a receber queixas da República Sérvia, reclamando uma tomada de atitude em relação a Srebrenica, uma vez que tinha sido considerada uma UN Safe Area, não devendo existir armas dentro do enclave. Contudo, as forças ABiH estavam a usar o enclave como ponto de refúgio e apoio para incursões sobre aldeias sérvias. A UN não tomou qualquer atitude para resolver as reclamações dos sérvios e o VRS começou a assediar o enclave.

No dia 1 de junho o Posto de Observação (OP) holandês – conhecido por OP “Echo” – foi tomado de assalto por militares sérvios, que expulsaram os militares holandeses da posição. Para admiração de todos na UNPROFOR, as Nações Unidas optaram por não responder com a força militar. De novo, os holandeses foram recordados que só em caso de legítima defesa é que poderiam usar a força bélica, sendo que um contra-ataque não validava o conceito de legítima defesa. A situação entrou numa espiral negativa e, no dia 8 de julho, os sérvios atacaram os holandeses num outro posto de observação – OP “Uniform”. Desta feita, encorajados pela ausência de reação da ONU um mês antes, os sérvios mantiveram como reféns vários capacetes azuis holandeses. No dia 9 de julho os sérvios entraram na Safe Area até às portas da Cidade de Sebrenica e, no dia 10 de julho, bombardearam a Cidade e as posições holandesas.

Os militares holandeses pediram apoio aéreo para legítima defesa, uma vez que não estavam equipados com armas que contrariassem um bombardeamento de artilharia. No entanto, a resposta aérea não aconteceu. Os militares holandeses ficaram indefesos à mercê das armas sérvias. No dia 11 de julho o VRS ocupou a Cidade, provocando um êxodo de 25 000 pessoas. O general Ratko Mladic trouxe um grupo paramilitar, de homens sem escrúpulos, auto denominado “os escorpiões”.

Símbolo do grupo paramilitar Sérvio – “Os Escorpiões”

Nesse dia, à tarde, dois aviões de combate da OTAN atacaram as posições sérvias. Mas já era tarde demais porque os sérvios estavam na cidade e tinham os holandeses nas suas mãos. O general Mladic – Comandante das forças VRS – ameaçou matar os reféns holandeses se os ataques aéreos da OTAN continuassem. Os residentes de Srebrenica acantonaram-se em volta das instalações militares dos holandeses, na esperança de não serem molestados em frente à ONU, mas de nada lhes valeu. Os militares VRS separaram os homens muçulmanos com idade de serviço militar – MAM – das suas famílias. Alguns foram executados no local e muitos outros foram levados para longe onde se lhes perdeu o rasto. Uma extensa coluna com milhares de civis marchou durante cinco dias em direção a Tuzla, tendo sido atacada pelo VRS durante todo o percurso. Às 17H00 do dia 16 de julho a coluna chegou a Tuzla, onde reportaram que entre 5 000 a 7 000 homens teriam sido sumariamente fuzilados pelo VRS e enterrados em valas comuns.

No dia 25 de julho, o VRS repetiu impunemente em Zepa o que tinha feito em Sebrenica.

Srebrenica foi considerado o maior assassinato em massa da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. O juiz Fouad Riad, em novembro de 1995, indiciou, no tribunal de crimes de guerra de Haia, o general sérvio Ratko Mladic de genocídio em Srebrenica. Segundo os relatórios em seu poder, havia evidências de uma “inimaginável selvageria”. Milhares de homens executados e enterrados em valas comuns; centenas de homens enterrados vivos; homens e mulheres mutilados e massacrados; crianças mortas diante das mães; um avô obrigado a comer o fígado de seu próprio neto; etc.

As forças holandesas foram injustamente criticadas por não terem protegido os civis em Srebrenica. No entanto, a culpa foi da Comunidade Internacional, que não lhes deu as Regras de Empenhamento, o equipamento militar necessário, nem o apoio aéreo atempado que impedisse a entrada de Mladic na Cidade.

07JUL – Eventos históricos da aviação militar portuguesa

1955 – Nomeação do Major Kaúlza Oliveira de Arriaga para o cargo (que se encontrava vazio desde a sua instituição) de Subsecretário de Estado da Aeronáutica (Decreto 40250 DG 159 Série 1).

Por isso, hoje (07JUL2026) a AFAP irá promover uma tertúlia sobre o papel do General Kaúlza de Arriaga na estruturação e operação da Força Aérea Portuguesa.

Azul e Vermelho

As celebrações do 74º Aniversário da Força Aérea (2026) decorreram na cidade minhota de Viana do Castelo, durante a primeira semana do mês de julho.

Como já tem vindo a ser habitual, a interação entre os militares aeronáuticos e as populações locais revela elevados níveis de empatia. Os militares sorriem a tudo e todos, procuram mostrar o que fazem, e as audiências emocionam-se quando as esquadrilhas desfilam em parada, quer com “botas no asfalto”, quer com aeronaves no ar. “Quem ama cuida”, e estes militares amam o País de juraram defender, assim como o povo ama os seus militares!

Porém, este ano (2026) houve um detalhe que nos parece digno de registo, em que o “vermelho dos vestidos do Minho emparelhou com o azul da farda da Força Aérea”. Trata-se de uma artista plástica vienense que, durante mais de uma semana, apoiou os militares que montaram e desmontaram o evento, e que, no final, ofereceu ao próprio Chefe do Estado-Maior da FAP (General Sérgio Pereira) uma obra sua que ilustra esse desiderato.

Falo-vos da professora Teresa Silva, que se despediu da Força Aérea nos termos que publico em seguida:

Querida Força Aérea Portuguesa, entre amigos não há despedidas.

Assim como nos trajamos para a Romaria, a Princesa do Lima vestiu o seu melhor traje para te receber com toda a nossa alegria e “chieira”; vestiu o sol mais brilhante como o ouro, o mais verde tom de serra e monte e o azul mais intenso do mar que nos beija.

De mãos na anca, como é nosso costume, olhamos o céu procurando-te, com os olhos brilhantes de quem recebe alguém que faz o coração bater mais depressa e uma saudade que já existia antes de agora nos começar a invadir o peito.

Nos teus aviões trouxeste militares cheios de sorrisos que partilharam com todos os vianenses e uma forma de ser calorosa e respeitosa que nos tocou o coração.

Colocaste sorrisos no rosto das crianças extasiadas e de coração a bater forte ao ouvir os teus aviões, deste a primeira experiência de voar a centenas de pessoas, em cada convívio por entre os nossos petiscos e vinho verde brindaste à vida connosco.

Pus amor na ponta dos meus lápis e tentei mostrar-te que já estavas no nossos corações, na pele da tua farda que muitas mulheres de Viana usam para servir a Pátria.

O teu azul e o nosso vermelho vivo são inseparáveis na nossa identidade.

Tornaste-te parte de nós, talvez em forma de mulher, como Viana o é. Robusta, meiga, briosa e inesquecível.

Nestes dias se bordou no céu e no mar uma história de amor que Viana borda como ninguém. Voaste no Coração de Viana e leva-lo nas tuas asas. Nós levamos-te no coração de ouro que orgulhosamente usamos ao peito na Romaria.

E assim como as nossas mulheres da Ribeira, de lágrimas nos olhos e coração saudoso, olham o infinito do mar esperando os maridos embarcados, assim nós ficamos de olhos no céu esperando-te.

Sim, porque tu vais voltar.

Com amor, até breve 💙✈️

Teresa Silva”

Agora digam lá se não é verdade: – “Quem ama cuida” ?

05JUL – Eventos históricos da aviação militar portuguesa

1926 – Publicação das bases de organização do Exército Português, onde estavam previstos o Conselho Superior de Aeronáutica e a Direção da Arma de Aeronáutica (Decreto-Lei 12017 DG 167 Série 1).

1975 – É extinto o Regimento de Caçadores Paraquedistas, sendo criado, na dependência do CEMFA, o Corpo de Tropas Paraquedistas, constituído por um Comando do Corpo (CTP), uma Base Escola de Tropas Paraquedistas (BETP), e três Bases Operacionais (BOTP1, BOTP2, BOTP3). O CTP seria comandado por um oficial General paraquedista (Decreto-Lei 350/75 DG 153, Série 1).

As intermitências da morte – José Saramago

O livro “As Intermitências da Morte” de José Saramago (escrito em 2005), é uma fábula distópica que faz a discussão algo filosófica com critica social, sobre a imortalidade. Saramago parte do absurdo que há vários tipos de entidades “morte” (sendo “a Morte” o superior) e que, num país não nomeado, a morte de serviço decide tirar férias, não deixando ninguém morrer. Rapidamente, o sonho da imortalidade transforma-se num pesadelo caótico para o Estado, a religião e a sociedade.

oplus_32

E se fossemos imortais? Como seria? Pensamos sempre nesse assunto como se a imortalidade fosse sinónimo de vida saudável, mas, e se não fosse? Talvez por ter 83 anos de idade quando publicou este livro, José Saramago (o homem que escrevia sem pontos finais) tinha outra perspectiva do assunto. Ou seja, continuávamos a envelhecer, a adoecer, a degradarmo-nos, a sofrer e a fazer outros sofrer, mas não morríamos … nunca!

Exército ressuscita a componente aérea orgânica.

O Exército Português vai adquirir três (3) helicópteros Black Hawk, para o seu Projeto de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (HAPE).

O acordo relativo ao contrato de aquisição dos três UH-60 oficializou-se numa cerimónia que ocorreu no dia 2 de julho 2026, em Miami, nos Estados Unidos da América, tendo o mesmo sido assinado entre a NATO Support and Procurement Agency (NSPA) e a empresa Sahar Group.

 Este programa foi incluído pelo Exército na Lei de Programação Militar de 2023, mas só em 2024 é que foi aprovada a despesa e em 2025 foi lançado o concurso na NSPA que agora se concretizou.

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora