Obrigado Força Aérea

Couço (Concelho de Coruche) 30MAI2026, 17H10

A vila do Couço, no limite ribatejano com o Alentejo, tem vindo a sofrer com as altas temperaturas deste mês de maio, e a preocupação com os incêndios é notória. Os homens credenciados em limpezas de terrenos andam derreados e têm as agendas cheias. A população protege-se em casa ou em locais públicos refrigerados, evitando as horas mais quentes do dia. Porém, naquela tarde houve um som grave que começou a crescer nos ares do Couço. Quem conhecia sabia que estava um C-130 em aproximação. Quem não conhecia olhava para o ar, em busca de uma justificação daquele alarido. De repente, surgiu um grande avião cinzento a baixa altitude, com os seus quatro motores a vibrarem com cima da Vila. As pessoas correram para a rua e acenaram à aeronave. “Que bonito” disse uma cachopa, “Ganda maquinão” retorquiu Zé das podas, ainda com a caneca de cerveja na mão. De repente, o C-130 mete a asa esquerda em baixo e inicia uma volta sobre a vila, mantendo a baixa altitude. “Eh lá; temos show”, “será que nos viu a dizer adeus?”

O C-130 volteia e passa exatamente sobre o mesmo ponto, na parte oeste da vila, onde há uns terrenos baldios junto as casas limítrofes do Couço. “Mau! Aquilo não pode ser show, porque não mora ali ninguém”.

Nesse instante, ergueu-se uma forte coluna de fumo no local que o avião observava. “FOGO!” “ACUDAM! O AVIÃO DESCOBRIU UM FOCO DE INCÊNDIO!”

De repente toda a gente saia do seu conforto para ajudar. Mas não houve necessidade de grande intervenção popular, porque em menos de nada estava um helicóptero sobre o local, guiado pelo C-130. Atrás desse helicóptero veio outro com um balde suspenso. O “show” passou a ser a ida e volta dos helicópteros que se abasteciam de água no Rio Sorraia, do outro lado da estrada para o Couço, e em qualquer coisa como seis viagens o fogo estava extinto. Era a vez dos bombeiros (finalmente) aparecerem, para se certificarem que não iria haver reacendimentos.

Moral da História, a tripulação do C-130 não só alertou e guiou os helicópteros para a extinção do fogo, como também (sem se aperceberem disso) alertou e guiou a população da Vila para a intervenção popular, que não foi necessário, mas estava pronta para atuar.

“Irra: esta foi por pouco!” disse alguém no final; “Isto dos fogos afinal funciona!” disse outro; “Bem podemos agradecer à Força Aérea, porque senão agora estávamos era a apagar o fogo nas nossas casas!” rematou aquele que conhecia o som de um C-130 em aproximação.

Publicado por Paulo Gonçalves

Retired Colonel from the Portuguese Air Force

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