Um país de guerreiros celebra o seu dia Nacional com um poeta.
Portugal tem mais de 880 anos, o que qualifica o País como um dos mais antigos da Europa; talvez mesmo um dos países com as fronteiras mais antigas do Mundo. Ao longo dos séculos, decorreram imensas batalhas na defesa do solo Português, algumas das quais marcaram de forma indelével a História Nacional. Seria logico que um país com tais características celebrasse o seu Dia Nacional com a data de uma batalha importante. Contudo, em Portugal não se celebra o Dia Nacional com a data de um evento belicoso, mas sim com a referência à morte de um poeta – Luís Vaz de Camões.
Porém, que não se iludam os menos atentos com a preferência pela cultura em detrimento das armas. A postura intelectual não significa o menosprezo pela prontidão militar do País.
Caça F-16 português com a pintura dos “Tigres da NATO”
On June 8, 2021, the Mechanism for International Criminal Courts (MTPI) confirmed that the former Commander-in-Chief of the Bosnian Serb Republic (VRS) Army – General Ratko Mladic – should be sentenced to life imprisonment for “atrocious war crimes and crimes against human kind”.
The MTPI’s verdict (in The Hague – Netherlands) put an end to the legal process against what became known as “the butcher of the Balkans”, because the decisions of this judicial body — which replaced the International Criminal Court for the former Yugoslavia (TPIJ) after its closure in 2017 — are not subject to appeal.
Ratko Mladic, now 79, was blamed for the Srebrenica massacre in July 1995, where VRS forces under his command allegedly executed about 8,000 Bosnian Muslim civilians.
It is true that history is told by the victors, and the Serbs lost that war; however, regardless of the reasons General Mladic may have had for acting as he did in Srebrenica, a commander is always responsible for the performance of his forces, and this earned him conviction for four war crimes and five crimes against humanity. Srebrenica was considered the biggest bloodbath in Europe after World War II, and Mladic’s hands are stained with that blood.
War transforms people and emphasizes everything that is bad in human kind. However, a career officer; a Commander; has the obligation to think beyond the range of his cannons. His forces owe him loyalty, but “he” has a guardianship duty to his men and women in arms: “the duty of custodian”. Mladic failed when he led the Serbs in an autistic way, not thinking about the consequences that would follow for his forces.
No dia 8 de junho de 2021 o Mecanismo para os Tribunais Penais Internacionais (MTPI) confirmou que o ex-Comandante-em-Chefe do Exército da República Sérvia da Bósnia (VRS) – General Ratko Mladic – será condenado a prisão perpétua por “atrozes crimes de guerra e lesa-humanidade”.
O veredito do MTPI (em Hague – Países Baixos) colocou um ponto final no processo legal contra aquele que ficou conhecido como “o carniceiro dos Balcãs”, uma vez que a decisão deste órgão judicial — que substituiu o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ) após o seu encerramento, em 2017 — não é passível de recurso.
Ratko Mladic, atualmente com 79 anos, foi responsabilizado pelo massacre de Srebrenica, em julho de 1995, onde alegadamente as forças do VRS sob seu comando executaram cerca de 8.000 civis muçulmanos bósnios.
É certo que a História é contada pelos vencedores, e os sérvios perderam aquela guerra; porém, independentemente das razões que o General Mladic possa ter tido para atuar como atuou em Srebrenica, um comandante é sempre responsável pela atuação das suas forças e isso valeu-lhe a condenação por quatro crimes de guerra e cinco contra a humanidade. Srebrenica foi considerado o maior banho de sangue na Europa, após a Segunda Guerra Mundial, e as mãos de Mladic estão manjadas com esse sangue.
A guerra transforma as pessoas e enfatiza tudo o que é mau na espécie humana. Mas um oficial de carreira; um Comandante; tem a obrigação de pensar além do alcance dos seus canhões. As suas forças devem-lhe lealdade, mas “ele” tem o dever de tutela para com os seus homens e mulheres em armas. Mladic falhou quando liderou os sérvios de forma autista, sem pensar nas consequências que daí adviriam para os seus.
Faz um destes dias 26 anos que vivi uma experiência que mudou a forma como observo o aquilo que me rodeia. Decorria o ano de 1995, e a guerra da Bósnia estava no auge. Um dia, vi um grupo de crianças que brincavam às escondidas nas ruínas do seu bairro. O jogo das escondidas era das poucas coisas que se atreviam fazer a descoberto, porque havia snipers nas vizinhanças e as crianças eram um alvo a abater como qualquer outro transeunte descuidado que aparecesse na mira da espingarda. Uma das crianças parou de brincar e, reconhecendo-me como um militar estrangeiro, fez-me uma pergunta. Um rapaz mais velho traduziu – “Ele está a perguntar como é a guerra no seu país”.
Aquele comentário de uma criança de cinco anos foi como um soco no estomago … escrevi o episódio no diário de missão, desenhei a cena e revivi a situação vezes sem conta. Agora, passados 26 anos, o episódio do miúdo Bósnio inspirou uma pequena peça musical, em língua Inglesa, onde procuro passar a mensagem de que a Paz é uma coisa muito frágil.
O cartoon da história
Mais de 1.5 biliões de pessoas vivem atualmente numa zona onde as suas vidas são colocadas de alguma forma em perigo. Estão identificadas pelo menos 50 zonas dessas, Porém, há mais! Locais on de a pobreza extrema, secas e ausência de bens essenciais, doenças descontroladas, crime organizado, luta de gangs, guerra e violência armada, terrorismo, extremismo religioso, regimes autoritários que não respeitam nada nem ninguém, etc. Para todas essas pessoas vai a minha compaixão: Para todos os outros; aqueles que pensam que essas coisas só acontecem lá longe, desenganem-se, …, pode acontecer “aqui e agora”, …, e tudo começa com um discurso.
Celebrou-se no passado dia 29 de maio o Dia Internacional dos Capacetes Azuis. Esta data foi comemorada em quase todo o Mundo, de modo distinto, conforme permitiam as medidas preventivas da pandemia COVID.
No caso particular de Lisboa, o dia foi marcado por uma parada militar, presidida pelo Mistro da Defesa Nacional, junto ao Monumento aos Mortos da Guerra do Ultramar e ao monumento às Missões de Paz e Humanitárias, no Forte do Bom-Sucesso, em Belém.
As forças em parada eram constituídas por uma companhia a três pelotões, um de cada ramo das Forças Armadas, acompanhadas pela banda e uma fanfarra do Exército.
Na tribuna estavam também, entre outras autoridades civis e militares, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, a Secretária de Estado para os Recursos Humanos e Antigos Combatentes, o Chefe do Estado-Maior do Exército, o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, o representante do Chefe do Estado-Maior da Armada, o representante do Comandante da GNR, o representante da hierarquia superior da PSP, o presidente da Liga dos Combatentes, o presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas e o presidente da recentemente criada Associação Portuguesa dos Capacetes Azuis (APCA). Estavam também presentes várias representantes dos Antigos Combatentes e veteranos dos Capacetes Azuis Portugueses.
Após as celebrações no exterior do Forte do Bom-Sucesso, as entidades foram convidadas a visitar o Museu dos Combatentes e participar em vários eventos (ver imagem).
Entretanto, no Quartel-General da ONU em Genebra, o dia dos Capacetes Azuis foi celebrado foi excecionalmente celebrado no dia 01 de junho. Nessa ocasião, foi demonstrada a intenção de ser construído um memorial em Genebra com o nome dos mais de 4.000 capacetes azuis que morreram em missão (4089 para ser mais exato reportado a 30 de abril 2021). O referido monumento deverá ser inaugurado nas celebrações do Dia dos Capacetes Azuis de 2022. Este monumento será o único no Mundo onde serão lembrados todos os que pagaram o preço máximo pela Paz.
At the very beginning of the United Nations Organization, there was a need to establish all sort of rules and criteria, which would reflect the organization’s DNA. There was the need to create a UN symbology, and that matter was not underplayed, because the founders of the organization were perfectly aware that the UN soldiers had to be promptly recognized, if they wanted to survive the vicious battle field they were going to operate at.
In 1947, UN’s General Assembly issued the Resolution 167 (II), approving the color light blue (of a sky with clouds) for the United Nations flag. Thus, the light blue came to represent the UN.
The culture of military uniforms was very much present in the post-World War II era and, soon after, the creation of a uniform for the elements that were in the service of the UN was taken into consideration.
Subsequently, in 1948, a contingent of UN Military Observers was sent to the Middle East to oversee the truce of the Israeli-Arab conflict. These Military Observers wore roughly the same type of tactic uniform, and received some articles to stick on their uniform, that reflected the fact that they were members of the United Nations. Besides and individual armband saying United Nations, the Observers carried a UN flags; and had their vehicles painted white with large ‘UN’ black letters painted on the side doors and on top of the vehicles. This particular way to paint the UN vehicles has become the current practice in all subsequent UN peacekeeping missions “
In 1956, the UN established an Emergency Force to oversee problems in the Suez Canal (UNEF). This was the first UN peacekeeping operation. Troops from different countries wore their national uniforms and added UN emblems and arm bands. To be better identified at a distance, they wore a blue beret and had their helmets painted in light blue, like the UN flag. These unique pieces, which came to be called “Blue Helmets”, were created by the Organization’s Secretary-General – Hammarskjöld – during the days that corresponded to the creation of the UNEF force “.
According to the recently deceased Sir Brian Edward Urquhart (writer and head of the UN policy sector): “What was needed was a distinct helmet easy to be recognized by a distant sniper. A blue UN beret seemed to be the answer, but it was impossible to get enough berets in time. American plastic helmets, however, were available in quantity in Europe, resulting from the Cold War, and were quickly painted with UN blue spray, just in time for the first UNEF detachments to use in their entry into Egypt “(Urquhart, p. 269).
And this was how the first Blue Helmets come to be.
No início da Organização das Nações Unidas, houve a necessidade de estabelecer regras e critérios que refletissem o ADN da organização, e a sua simbologia. Em 1947, a resolução 167 (II) da Assembleia Geral da ONU aprovou a cor azul claro (céu limpo sem núvens) para a bandeira das Nações Unidas. Dessa forma, o azul claro passou a representar a ONU.
Porém, a cultura de uniformes militares estava muito presente no pós-Segunda Guerra Mundial e, logo de seguida, ponderou-se a criação de um uniforme para os elementos que estivessem ao serviço da ONU.
Subsequentemente, em 1948, houve a necessidade de enviar para o Médio Oriente um contingente de Observadores Militares da ONU (UNMO), para supervisionarem as tréguas do conflito Israelo-árabe. Esses Observadores Militares trajavam uniformes táticos com aproximadamente o mesmo aspeto, e receberam alguns artigos que refletiam visualmente a sua pertença às Nações Unidas. Na sua apresentação individual os UNMO usavam braçadeiras com a inscrição Nações Unidas (em Inglês) e, em termos coletivos, faziam-se acompanhar de bandeiras da ONU. Também tiveram os seus veículos pintados de branco (cor da paz) com as letras ‘UN’ pintadas em ponto grande, a preto, nas portas laterais e na parte superior dos veículos. Essa pintura muito caracteristica acabou por se tornar prática corrente em todas as posteriores missões de manutenção de paz da ONU.
Em 1956, a ONU estabeleceu a Força de Emergência para a supervisão dos problemas emergentes do conflito no Canal do Suez (UNEF). Esta foi a primeira operação de manutenção da paz da ONU. Tropas de diferentes países usaram os seus uniformes nacionais e adicionaram braçadeiras das Nações Unidas e emblemas bordados da ONU. Para serem melhor identificados à distância, usavam uma boina azul e os seus capacetes foram pintados de azul claro, como a bandeira da ONU. Estas peças levariam a que os militares ao serviço da ONU passassem a ser denominados de “Capacetes Azuis”, tendo sido idealizadas pelo próprio Secretário-Geral da Organização – Hammarskjöld – durante os dias que corresponderam à criação da força UNEF.
Segundo o recentemente falecido Sir Brian Edward Urquhart (escritor e responsável pelo sector de política da ONU durante muitos anos): “O que era necessário era um capacete distinto e fácil de ser reconhecido por um franco-atirador distante. Uma boina azul da ONU parecia ser a resposta, mas era impossível conseguir boinas suficientes a tempo. Porém, havia na Europa imensos capacetes de plástico americanos, em resultado da Guerra Fria. Esses capacetes foram rapidamente disponibilizados e pintados com spray azul ONU, mesmo a tempo para os primeiros destacamentos da UNEF os usarem na sua entrada no Egito “(Urquhart, p. 269).
E assim se originou a marca indelével dos Capacetes Azuis da ONU.
O Secretário-Geral da OTAN – Mr. Jens Stoltenberg – vem a Portugal nos dias 26 e 27 de maio, para inaugurar a nova escola de comunicações da Aliança e para assistir ao desenrolar do Exercício Steadfast Defender 21.
E para que serve o Steadfast Defender? Para resolver aquilo que outras organizações com responsabilidades na área da estabilida e de segurança não conseguem – “Uniformização nos equipamentos e do modo de operar dos militares da Aliança, e certificação de que, caso necessário, podem operar em conjunto, com a mesma eficácia e elevada eficiência, em tempos recorde de resposta imediata“. Assim o escalão político dos países aliados saiba/pretenda utilizar essa ferramenta de “diplomacia com dentes”.
A paz não é algo que possamos possuir para o nosso próprio benefício. Na verdade, a paz não deve ser retida, mas sim distribuída. Talvez a terminologia da ONU deva seguir a expressão latina de Manutenção da Paz (Peace Maintenance), ou velha expressão de latim “Custodes Pacis” (custódia da paz).
Com exceção de alguns ataques terroristas (tão horríveis quanto isolados) os chamados países ocidentais têm vivido em uma era de ouro de paz e segurança. Os nossos jovens vão para a escola todos os dias sem grandes preocupações com a segurança, seus pais vão trabalhar sem se preocupar com a segurança deles, e todos nós vamos ao supermercado presumindo que as mercadorias de que precisamos estarão lá à nossa espera.
Porém, ao redor de nossas fronteiras, as situações de paz e segurança degradam-se a cada dia. Em muitos territórios, as pessoas são mortas nas ruas por razões mesquinhas, a doença prolifera e não há produtos essenciais nas lojas. Em resultado, hordas de migrantes ilegais tentam entrar nos países ocidentais, fugindo à guerra e à fome; a violência religiosa atinge toda a África, o Médio Oriente e a Ásia, com nuances de se vir a “entornar” para dentro das nossas fronteiras; e o crime organizado usa todas as oportunidades para obter lucros, não exitando recorrer a ações e atividades perversas.
A paz não é algo com que nos devemos de preocupar somente quando as balas começam a voar. Nessa altura será tarde demais para qualquer solução viável. A paz é algo que tem de ser abordado quando surge o primeiro discurso de ódio, quando não há água potável nos canos ou quando a doença aparece e não há vacinas para detê-la.
Devemos deixar de ter uma postura egoísta de estar confortavelmente instalados no nosso cantinho do planeta, e começar a sair por aí, onde surjam os problemas, para promover boas condições de vida e distribuir a paz … e adivinhe … comparado com o dinheiro gasto na reparação dos efeitos nocivos provocados pelas consequências, …, nem sequer é caro; aliás, até pode ser um negócio lucrativo.
A Aliança do Atlântico Norte (OTAN) é provavelmente um dos contribuintes mais fortes para o ambiente pacífico e estável em que a Europa e a América do Norte vivem. No entanto, como qualquer sistema vivo, se a OTAN não evoluir e não se adaptar às novas realidades, tornar-se-á irrelevante e perecerá. No dia 14 de junho de 2021, todos os Chefes de Estado Aliados vão reunir-se, no QG da OTAN, para mais uma Cimeira da Aliança. Uma Cimeira que alguém já chamou de “O encontro das democracias”, onde será discutido um novo Conceito Estratégico da Aliança Atlântica para a próxima década. Vamos ver o que sai sair de Bruxelas.
Esperemos que a ONU, em conjunto com as organizações regionais de defesa e segurança, possa fazer a “pomba da paz” voar sobre os lugares agitados da Terra, sem necessidade de “restringir” a paz a algumas, poucas, zonas do planeta.
The expression “Peacekeeping” doesn’t mean retaining peace (as in “to keep it”). Peace is not something we can hold for one’s own purpose. In fact, it should not be kept at all, rather distributed across the world. Maybe the UN terminology should follow the Latin languages’ expression “Peace Maintenance”, or the classic Latin version “Custodes Pacis” (Peace Custody – Peace Care).
With the exception of some dreadful, but isolated, terrorist attacks, the so-called Western countries have been living in a golden age of peace and security. Our youngsters go to school every day without major safety concerns, their parents go to work no worried with their security, and we all go to the supermarket assuming the goods we need will be there for us to buy it.
However, all around our borders, that is not the case. Peace and security situations are degrading every day, people are being killed on the streets, and there’s no essential live support products on the shops. As a result, hordes of illegal migrants try to get into the western countries, seeking to escape war and famine. Religious violence plows all over Africa, the Middle East and Asia; and organized crime is using all opportunities to obtain profits, using every possible type of malware action in the book.
Peace is not something we should be concerned when bullets start flying. That will be too late for any feasible solution. Peace is something to be addressed when the first hate speech arises, when there’s no drinkable water on the pipes, or when disease strikes and there are no vaccines to stop it.
We (the westerners) must stop being selfishly comfortable in our little corner of the planet and start going out there, where the problems arise, to promote good living conditions, health care and distribute peace … and, guess what … compared with the “damage control” money spend in homeland, …, it’s not even expensive; in fact, it could be a profitable business too.
The North Atlantic Alliance (NATO) is probably one of the strongest contributors for the peaceful, and stable, environment Europe and North America live in. However, like any living system, if NATO doesn’t evolve and adapt, it will become irrelevant and perish. On the 14th of June 2021, all the Allied Heads of State will get together, at NATO HQ, for another NATO Summit. A Summit someone has already called the “gathering of democracies”, where a new North Atlantic Alliance’s Strategic Concept for the next decade will be discussed. Let us see what comes out of Brussels.
Let us hope that the UN, together with the regional organizations, can let the “peace dove” fly over the unrest places of planet Hearth.