Na missão das Nações Unidas da ex-Jugoslávia (UNPROFOR) todos os invernos tínhamos de mudar de pneus dos veículos que nos estavam atribuídos. Porém, quando a neve era abundante – o que acontecia com regularidade – nem sequer os pneus de inverno nos valiam para podermos continuar a conduzir “all weather”. Tínhamos então de aplicar as correntes de neve e passar a conduzir em modo 4×4 e de uma forma bastante mais defensiva. Para um português (alfacinha), muitas destas experiências eram novidade e, uma vez que a missão não se compadecia com restrições de diferentes latitudes, e cada um conduzia o seu próprio veículo, o que tinha a fazer era aprender rapidamente com quem sabia da poda., no caso – com os canadianos!
Durante os cerca de 3 anos que durou a guerra na Bósnia Herzegovina, os radares viram muita coisa que os historiadores não registaram. O último ano dessa guerra teve um português a liderar a equipa de observadores radaristas da ONU que vigiava a Zona de Exclusão Aérea, usando radares sérvios.
Finalmente chegaram. 495 páginas e 40 imagens que nos levaram muitas horas de trabalho a elaborar. Procurámos ser inovativos na análise das dinâmicas económicas, sociais, politicas e diplomáticas de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Mantendo uma tradição de controlo de qualidade, a editora Palgrave Macmillan fez um “peer review” particularmente exigente, mas o trabalho de investigação esteve à altura e mereceu créditos internacionais.
05 JAN 1995 – Cair da noite no Aeroporto de Zagreb
O capitão Duque tinha trazido um veículo todo-o-terreno da ONU para me recolher; carregámos o carro com as minhas bagagens e partimos para um dos dois apartamentos que os oficiais portugueses alugavam na cidade.
Chamavam-lhe “casas portuguesas” e, embora distanciando menos de um quilómetro uma da outra, na essência, eram parecidas. Tratava-se de um pequeno apartamento, constituído por uma sala com kitchenette, um quarto e uma casa de banho. Todos os 12 militares na missão contribuíam para pagar a renda daqueles dois apartamentos, mas só um ou dois de nós efetivamente residiam nessas casas. Os restantes usavam-nas como ponto de apoio nas estadias temporárias em Zagreb, quando transitam entre as zonas de operação. Havia sacos de dormir e mochilas militares por todo o lado. Tudo com as identificações dos respetivos donos, enquanto estes estavam algures no teatro de operações da Krajina ou da Bósnia e Herzegovina. Na UNPROFOR, qualquer movimento que se fizesse tinha obrigatoriamente de passar por Zagreb. Era bom ter um ponto de apoio na Cidade. O apartamento para onde fomos estava particularmente bem localizado, ficando a cerca de 100 metros da entrada do Quartel-General da UNPROFOR.
Tal como os restantes oficiais portugueses, eu passaria a pagar uma cota-parte do valor das rendas e, em compensação, poderia usufruir de um local para pernoitar, em Zagreb sempre que necessitasse.
Durante aquela noite comemos uma refeição ligeira e deu-se início ao meu processo de aprendizagem sobre a missão, na versão “explicações particulares à portuguesa”. O capitão Duque começou por dizer:
– “Aquilo que eu te vou contar em seguida fica só entre nós. Nenhum instrutor nem nenhum manual da UNPROFOR te irá informar aquilo que te vou dizer, porque são assuntos delicados, considerados politicamente incorretos. Porém, se não souberes essas delicadezas, vais cometer erros desnecessários que poderiam ser evitados.”
Tinha começado a missão missão na United Nations Portection Force (UNPROFOR), na Bósnia Herzegovina, Croácia e Jugoslávia.
Extrato do início do livro “Bósnia 95 – Guerra aérea em manutenção de paz”.
É com muito prazer e orgulho pessoal que anuncio a publicação de um grande livro (literalmente porque tem mais de 490 páginas e 54 ilustrações) que nos levou mais de um ano a preparar. Agradeço aos dois outros coautores – Francisco Leandro e Enrique Galan – a oportunidade que me deram em colaborar nesta obra.
Está escrito em inglês e quem conhece esta editora internacional sabe que a qualidade e o detalhe são a marca de água da Palgrave.
Escalpelizamos a recente evolução histórica de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, analisámos as situações politicas, diplomáticas, económicas e sociais desses países insulares de língua portuguesa, e apresentamos informação para os leitores tirarem as suas próprias conclusões.
Muito se tem falado sobre bombas de fragmentação na guerra da Ucrânia. Efetivamente, o termo “fragmentação” está incorreto, uma vez que se tratam (isso sim) de misseis com sub-munições. Porém, não vamos criar entropia teórica na comunicação e falemos das “tais bombas de fragmentação”.
A coisa não tem nada de novo lá para o Leste Europeu, uma vez que foram usadas e abusadas nas guerras de Independência da Croácia e da Bósnia Herzegovina. Aliás, as primeiras baixas de militares portugueses na Bósnia – na missão OTAN/NATO IFOR – em 1996, deveram-se exatamente à explosão de uma sub-munição de um míssil “de fragmentação”.
Neste meu livro “BÓSNIA 95 – GUERRA AÉREA EM MANUTENÇÃO DE PAZ” – reporto a forma como tive de lidar com este tipo de arsenal, quando as forças Sérvias do Setor Norte da Krajina Croata bombardearam Zagreb, no dia 1 de Maio de 1995. Centenas de pequenos invólucros, espalhados em meu redor, prontos a explodir a qualquer toque ou brisa de vento mais forte.
Acabado de sair das máquinas, eis o meu testemunho sobre o que aconteceu no primeiro semestre do último ano da Guerra da Bósnia e o final da Guerra de Independência da Croácia. São 360 páginas, com 8 fotos e 40 desenhos/cartoons. Muitas das táticas em uso na Ucrânia já o tinham sido nos Balcãs, saiba como.
O livro custa 17 e fica em 21 euros com despesas de envio – interessados, pedidos por mensagem pessoal.
A Força Aérea Portuguesa celebra hoje o seu 71º Aniversário. Gostaria de desejar os maiores sucessos a todos aqueles e aquelas que serviram e servem nesta instituição de Excelência. Aos vindouros, deixo o seguinte alerta: – só no dicionário é que “sucesso” vem antes de “trabalho”. Na FAP não sabemos o que é inação, e agimos de imediato, porque Ex Mero Motu quer dizer “por um mero motivo”.