Voando no céu do reino do Monomotapa

Acabei de ler o livro “Voando no céu do reino do Monomotapa” (Moçambique), onde o autor (General Vizela Cardoso) reporta a forma como a Força Aérea Portuguesa conduziu a campanha aérea na província moçambicana de Tete, durante a guerra do Ultramar, entre os anos de 1972 e 1974.

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O livro é um interessante contributo para a história daquele conflito, com muitos detalhes técnicos sobre a forma como a situação evoluiu, e o modo como a Força Aérea respondeu às suas obrigações institucionais. Nota-se o cuidado do autor em apresentar Lições Aprendidas, de modo a que possam ajudar as futuras gerações de aviadores militares a cumprir as novas missões com sucesso.

O livro está bem escrito, e é generoso em fotografias da época que provam os factos relatados. Porém, devido à tecnicidade dos temas abordados, não é uma leitura fácil para qualquer pessoa menos informada sobre as questões aeronáuticas, e algum jargão militar. É uma leitura interessante para militares, aviadores em geral e historiadores/investigadores da guerra no Ultramar Português.

Associação da Força Aérea “põem em marcha para descolar”

As obras na Associação da Força Aérea Portuguesa (AFAP) continuam a bom ritmo. Entretanto, vai ser adquirido novo mobiliário para as áreas de refeições, e num futuro próximo estão previstas mais obras que irão beneficiar muito o bem-estar dos nossos associados.

Foi também relançado o programa de visitas e atividades culturais, onde os sócios poderão usufruir de oportunidades únicas com cariz aeronáutico. Assim, até ao final do ano (que se aproxima vertiginosamente), iremos fazer visitas a Unidades e serviços da Força Aérea na área da grande região de Lisboa; colóquios; tertúlias; encontros e festividades com o intuito de unir todos aqueles que serviram, servem e/ou gostariam de ter servido Portugal nas “asas da Força Aérea”.

Junte-se a nós.

Ex Mero Motu (à mínima solicitação)

Os livros que vou lendo (#1)

Acabei de ler um “desafio literário” do meu clube de leitura (autor espanhol) com o título: “O fogo invisível”, de Javier Sierra. A história gira à volta de uma busca pelo Santo Graal, e dá ares de ser mais um escritor com forte influência de Dan Brown. Porém, tem uma particularidade que me interessou – ele juntou factos documentados para escrever uma ficção. Ou seja, a fantasia tem um espaço modesto nas 422 páginas, o que nos deixa a pensar no assunto do livro. Classifico-o com mais uma história educativa, porque me obrigou a ir à net confirmar certas e determinadas passagens. Gostei da organização do texto, que facilita muito a leitura, e nota-se a preocupação de colocar os termos mais rebuscados dentro de um contexto, para evitar idas ao dicionário.

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Porque aprendi qualquer coisa neste livro, vale um 4 (de 0 a 5)

A Associação da Força Aérea prepara-se para a rentrée de setembro.

Aproveitando o tradicional fecho sazonal de agosto das instalações na Avenida Gago Coutinho – em Lisboa (também conhecida por avenida do Aeroporto), a AFAP iniciou uma série intervenções no edifício, a fim de o preparar para a rentrée de setembro.

1 – Os portões de acesso ao edifício foram intervencionados. Já não são fechados com simples cadeados, mas sim com fechaduras incorporadas. Foram, entretanto, pintados de cinzento, de modo a incorporarem-se harmoniosamente com o muro frontispício da nossa Sede. De referir que os pilares do muro que suportam os protões também foram intervencionados, uma vez que davam mostras de estarem quebrados a meia altura do chão;
2 – A antiga sala de refeições reservada (por muitos denominada de sala VIP) vai voltar a ser utilizada para servir refeições. Desta forma, as paredes, teto e aduelas das portas foram intervencionadas e pintadas, ficando com muito bom aspeto. Recebeu também um novo sistema de iluminação, mais moderno e “amigo do ambiente”;
3 – Os tacos do soalho da sala principal de restauração denunciaram degradação, pelo que todo o soalho foi afagado e as (várias) zonas com tacos estragados foram restauradas.
4 – O Jardim passou a receber manutenção regular de nível profissional, a fim de vir a receber eventos no futuro próximo;

5 – Foi também estabelecido um novo acordo com o provedor de serviço de internet, TV e telefone (NOS), e a AFAP passou a ter fibra ótica instalada no edifício, o que irá beneficiar não só a qualidade, bem como a velocidade no acesso à internet. As televisões disponíveis na AFAP terão acesso a uma maior quantidade de canais (cabo).

A Liga dos Combatentes não é só para os que estiveram no Ultramar!

No sábado, dia 03 de agosto, fui apoiar o pessoal do Núcleo do Seixal da Liga dos Combatentes que guarneciam o stand da Liga nas Festas da Aldeia de Paio Pires (Concelho do Seixal).

Durante a noite, um cidadão (cuja idade deveria rondar o início dos 60 anos) veio ter comigo e disse que tinha sido militar e gostava da ideia de existir uma Liga dos Combatentes. Porém, entendia que era “demasiado novo” para ser da Liga, porque já não tinha ido à Guerra do Ultramar. Depois de trocarmos impressões, verifiquei que aquele entendimento (errôneo) era mais generalizado do que eu imaginava, porque outros amigos desse cidadão  também (segundo ele) pensavam assim.

Para que se saiba, a Liga dos Combatentes não foi feita para os combatentes do Ultramar, nem é um clube exclusivo para esse nobre grupo de cidadãos, que tudo deram pela pátria. Deram a sua juventude; deram oportunidades de trabalho perdidas; deram relacionamentos matrimoniais adiados, perdidos ou trocados; deram a sua saúde e sanidade regressando estropiados; e muitos milhares deles deram a própria vida. A maioria dos homens portugueses com mais de 70 anos passaram por essa realidade, e merecem o reconhecimento da sociedade por isso. Porém, a Liga dos Combatentes não é um exclusivo deles. Aliás, mal estaria a Liga se assim fosse, porque extinguir-se-ia assim que falecesse o ultimo combatente da Guerra do Ultramar. Nem os combatentes do Ultramar devem de olhar de soslaio as novas gerações de combatentes, porque a união faz a força e as novas gerações de combatentes podem “puxar” pelos direitos dos mais velhos.

A Liga dos Combatentes é centenária, e foi constituída para zelar pelos combatentes portugueses que estiveram na Primeira Guerra Mundial, e está aberta aos seguintes sócios efetivos:

– Os cidadãos que prestem ou tenham prestado serviço nas Forças Armadas Portuguesas e tenham participado em missões de defesa, de segurança, de soberania, humanitárias e de paz ou de cooperação;
– Os elementos das Forças de Segurança que participem ou tenham participado em missões equiparadas às condições referidas na alínea anterior;
– Os cidadãos (Civis) que prestem ou tenham prestado serviço, ainda que integrados em organizações civis, em missões de defesa, de segurança, de soberania, humanitárias e de paz ou de cooperação no interesse de Portugal;
Todos os cidadãos que, em território nacional, tenham participado em missões de segurança no decorrer de situações de estado de sítio ou de emergência;
– Os estrangeiros nas condições referidas nas alíneas anteriores.

E ainda há toda uma série de outro tipo de sócios singulares ou coletivos (extraordinários, honorários, beneméritos e apoiantes) que podem – e devem – juntar-se à causa.

Novo projeto – memórias de missão no Afeganistão

Ora então, vamos lá revisitar o diário de missão da ONU para o Afeganistão, e começar a escrever mais umas memórias de missão. Acho que vai começar desta forma:

“Existe uma lenda nas montanhas do Hindukush que reza assim:
– “Quando Alá fez o Mundo, sobraram-lhe um monte de pedaços e restos da criação que não encaixavam em mais lado nenhum. O Divino reuniu todos esses fragmentos e atirou-os para a Terra, criando o Afeganistão.”
Esta lenda descreve bem a paisagem afegã; uma mistura de regiões austeras, plenas de altas montanhas nevadas, parcialmente cobertas de vegetação de pequeno porte e ocasionais zonas de florestas. Escarpas com vales profundos, com os rios do degelo correm no fundo em direção a extensas áreas de ardentes desertos polvilhados de luxuriantes oásis.
Contudo, não se deve pensar que a aridez do cenário significa ausência de presença humana. Também existe um proverbio afegão que dita:
– “Por mais alta que seja a montanha, irás sempre encontrar uma tribo afegã!”

Se faltam militares nas fileiras, o produto operacional será necessariamente mais baixo.

A pergunta que se coloca é: Qual é o produto operacional que as nossas Forças Armadas contribuem para o quotidiano da nossa população?

Sabendo que “há coisas que, por estarem longe da vista, estão longe do coração”, também é verdade que maior parte das coisas que permitem que o coração bata, estão longe da vista. A generalidade das pessoas que têm um enfarte do miocárdio fatal, não se aperceberam que iriam ter esse desfecho, com a devida antecedência. Depois, é tarde demais!

A Defesa não é um gasto, mas sim um investimento.

Ministro em “estado de graça”

No dia 7 de abril de 2024, o Ministro da Defesa Nacional participou pela primeira vez num evento público de cariz militar. Tratou-se do Dia do Combatente, celebrado no Mosteiro da Batalha.
As palavras de Nuno Melo não vieram trazer nada de esclarecedor, porque (como o próprio fez questão de referir) o programa do governo ainda não está fechado, pelo que não há muito a dizer.
Contudo, o Ministro conseguiu algo que eu ainda não tinha visto antes – arrancou uma salva de aplausos e palavras de apoio do público que assistia ao evento. Fê-lo porque falou ao coração dos antigos e atuais combatentes (e respetivas famílias) presentes no local.
Nem o Presidente da República (que também discursou) igualou a reação do público que Nuno Melo conseguiu.


Cuidado senhor Ministro … esta gente está sequiosa de atenção, mas não gosta nada de ficar desiludida se as palavras não passarem a ações.

Aliança Luso-Britânica nos céus de Lisboa, mas … e depois?

No dia 24 de janeiro de 2024, decorreu na Sociedade de Geografia de Lisboa, uma Conferência (híbrida), promovida pela Secção de Ciências Militares dessa Sociedade sobre a temática dos “650 anos da Aliança Luso-Inglesa e a sua atualidade”

Para além da interessante retrospectiva história, ficou bem patente que, tanto nas celebrações dos 600 anos da Aliança como dos 650 anos, foram as autoridades portuguesas deslocaram-se a Londres para celebrar o evento, em ambos os evento “um Marcelo” (primeiro o Caetano e depois o Rebelo de Sousa). Por sua vez, o Reino Unido enviou a Portugal a patrulha acrobática Red Arrows.

Porém, e muito estranhamente, verifica-se que a Aliança em vigor mais antiga do Mundo (1373 – 2024) não consta do Conceito Estratégico de Defesa Nacional Português. Será que esta Aliança não é para levar a sério?

Veteranos – a reserva estratégica do País do “saber como se fez”.

O Ser Humano só consegue avaliar aquilo que realmente aprendeu quando é posto à prova.

A Segunda Guerra Mundial representou o fim da Segunda e o início da Terceira Revolução Industrial, as quais empurraram a Humanidade para um novo estágio do Homo Sapiens. A aviação é uma dessas inovações, diria mesmo uma conquista, porque o Homem sempre invejou as aves e atribuiu aos céus a morada dos Divinos. Porém, a invenção que mais terá alterado os nossos protótipos foi a internet. A partilha de informação online, permanentemente disponível em quase todo o sítio de forma fácil e gratuita, misturando conhecimento e entretenimento (o Infotainment), mudou uma das mais antigas normas sociais da Humanidade – a relevância dos anciães.

Efetivamente, cada vez mais vemos a inversão do paradigma – “os mais velhos ensinam os mais novos”, sendo que as novas gerações desenvolveram a capacidade de se auto-instruírem online, e agora são “os mais novos que ensinam os mais velhos”.

No entanto, até os mais novos têm de ter cuidado em não ficarem obsoletos, porque o monstro tem a tendência de comer o tratador. Por muito vocacionado/a que se esteja para a info-literacia, qualquer ausência perlongada do keyboard traduz-se em sérias dificuldades na integração sistémica, porque as novas tecnologias rejuvenescem-se a um ritmo alucinante.

Quando tudo falha – o nosso cérebro busca soluções naquilo que fizemos vezes sem conta e não em raciocínios elaborados.

No mundo de hoje, a partilha de informação é essencial em quase tudo, e muito particularmente na aeronáutica. Porém, não devemos confundir informação com conhecimento, nem sabedoria com sapiência. Não basta saber como se faz; é necessário interpretar os acontecimentos e antever as consequências do que se vai fazer.

Saber como funciona um avião, e passar inúmeras horas num simulador, não significa que se esteja apto a sobreviver à primeira aterragem real sozinho. É necessário, exercitar essa manobra várias vezes em ambiente real, antevendo todo o tipo de emergências e dificuldades, partilhando o cockpit da aeronave com um/a instrutor/a de voo. O mesmo se passa com os mecânicos, com os controladores, com os bombeiros e com todas as outras especialidades que formam a Equipa da Força Aérea. Porque voar, é o resultado de um trabalho de equipa.

Na Força Aérea procuramos apostar nas mais recentes tecnologias de informação, e zelamos pelo conhecimento e sapiência dos nossos militares. Fazemo-lo através do estudo académico complementado com execução prática, e pelo conceito de que “a antiguidade é um posto”. Tirar um curso não é o suficiente, é necessário estar qualificado/a, e a qualificação traduz-se na avaliação da execução em ambiente de trabalho real examinada por um/a instrutor/a certificado/a, independentemente dos postos relativos do instruendo/a e do examinador/a.

Executamos, e voltamos a executar vezes sem conta aquilo a que nos propomos saber fazer antes de sermos “largados” pelo/a examinador/a, porque é sabido que em situações de elevado stress, as pessoas não pensam; reagem. Em combate, isso é a regra e não a exceção.

O combate exige total disponibilidade, boa forma fisiológica, perícia e experiência. As duas primeiras exigências são características dos/as mais novos/as, sendo as duas últimas particularmente dominadas pelos/as veteranos/as.

O desafio (talvez seja mesmo – o segredo) está no aproveitamento sinergético da relação intergeracional entre os/as jovens militares, com toda a sua capacidade de absorver novas valências, e os/as veteranos/as com toda a sua experiência crítica.

Os planeadores militares sabem que as guerras se fazem com as mesmas ferramentas com que se produz riqueza. Sempre foi assim, e sempre assim será! As batalhas do Século XXI combatem-se com tecnologia e não com a massificação de batalhões no terreno, como na segunda revolução industrial do Século XX. As novas guerras são híbridas, desenvolvem-se em domínios disruptivos e são extremamente caras. Um caça F-35 custa 80 milhões de euros, gasta 36.000 euros em cada hora de voo e dispara (entre outros) mísseis ar-terra Hellfire cujo o preço unitário são 115.000 euros; um carro de combate moderno custa 14 milhões de euros; e uma fragata bem equipada por chegar aos mil milhões de euros. Uma simples espingarda de assalto moderna custa o dobro de uma G-3, tem sensores eletro-óticos que requerem uma manutenção apurada e exige uma qualificação de operação demorada.

Os militares modernos têm de ter conhecimentos avançados em novas áreas de especialização, e fazer uma gestão economicista das reservas de guerra.

Por seu lado, os veteranos sabem que para se fazer uma análise acerca de uma determinada situação, tem de haver algum afastamento no espaço e no tempo para evitar o “nevoeiro da batalha” porque, como dizia o General Carl Von Clausewitz:

O nevoeiro da batalha esconde cerca de três quartos da informação necessária para a tomada de decisões apuradas.”

A extensão das novas linhas de confrontação, a velocidade dos acontecimentos, o acesso à informação, a multiplicidade de novos meios de combate e os novos domínios da guerra incrementam cada vez mais nevoeiro do campo de batalha.

Os decisores militares passaram a estar obesos de informação, mas anoréxicos de conhecimento, porque o volume de informação é tal que a capacidade de seleção e síntese passou a ser exígua.

O dilema coloca-se em saber como fazer uma análise com afastamento do evento, quando o evento não cessa de se reconfigurar. A resposta está na comparação de soluções adotadas noutros conflitos, estudando as respetivas consequências. Porque, tal como também dizia Von Clausewitz: “A guerra é a continuação da política por outros meios”, e o grande dilema da guerra continua a ser “o que fazer com a vitória militar?”

Os veteranos sabem por experiência própria que os novos conflitos se dividem em operações de combate, e operações de apoio à paz. A grande diferença entre estes dois tipos de operação militar está na visibilidade. Enquanto nas operações de combate os militares querem ver sem serem vistos, nas operações de paz quem ver e querem ser vistos.

Nas Operações de Manutenção de Paz das Nações Unidas, onde a decisão política tem de tomar decisões urgentes sem o luxo de amadurecer uma avaliação ponderada, os decisores no terreno são apoiados por Unidades de Assessoria. Cientes que a História tende a repetir-se, os peritos que integram essas Unidades de Assessoria procuram o tal “conhecimento de experiência feito”, identificando as lições aprendidas e as melhores práticas utilizadas em situações análogas, a fim de antever as consequências das várias opções de decisão e modalidades de ação no terreno.

Nunca descorando que os comportamentos do passado são os melhores preditores de desempenhos futuros, as assessorias desses órgãos fazem simulações e debatem soluções, integrando a visão de civis e militares nas suas avaliações. Detalhe curioso é a existência de veteranos de guerra nessas estruturas, quer contratados como civis ou mantendo funções militares. Eles são a memória viva, na primeira pessoa, de situações de alguma forma análogas. Testemunhos da coerência das opções adotadas, e dos resultados obtidos. Os veteranos experienciaram aquilo que não está escrito em relatório nenhum – a sensação de “dejá vu”. A assessoria resultante da integração de estimativas apresentadas pelas novas tecnologias, incorporando a experiência dos veteranos, é uma mais valia para a decisão do escalão superior.

Contrariamente aos famosos reportes de situação (SITREP), onde a qualidade da informação é influenciada perímetro das operações e pelo imediatismo da transmissão, a perspectiva dos veteranos está liberta do aperto claustrofóbico da cápsula do espaço e do tempo.

Os relatórios descrevem as árvores, mas os veteranos interpretam a floresta. Um simples olhar para o mapa pendurado na parede, onde alguém desenhou cuidadosamente a ordem de batalha, possibilita ao veterano identificar o próximo vetor da manobra. Um telefonema para um amigo, que conhece um amigo, preenche os espaços vazios na quadrícula do mapa; porque muitas vezes não importa o que se conhece, mas sim quem se conhece.

Assim como os veteranos não devem de cair na ilusão de que “são eles que sabem como fazer”, também as novas gerações não se devem de considerar como sendo “aqueles que sabem o que fazer”. A solução está na sinergia criada pelo trabalho de equipa intergeracional, onde “em conjunto cada um consegue mais” (Together Each Achives More – TEAM).

Assim, é uma pena ver o desperdício de valências que os veteranos poderiam acrescentar e que não está a ser aproveitada, quer seja na assessoria em resolução de conflitos, ou na retaguarda das operações de soberania, das operações de apoio à paz, de ajuda humanitária, de emergência civil, etc. Apoio às operações, como também à formação das novas gerações de militares; trabalho de voluntariado em museus e hospitais militares; apoio organizado junto das Câmaras Municipais para reforço da Proteção Civil local; em testemunhos vivos no Dia de Defesa Nacional, porque as palavras convencem, mas os exemplos é que arrastam; etc. Os veteranos são ainda particularmente importantes na ajuda e reintegração de outros veteranos na sociedade civil, como por exemplo no combate à síndrome de stress pós-traumático, porque nem sempre é fácil despejar o passado sem vergonhas e inibições a quem se é íntimo, ou a quem não se conhece. Os veteranos formam “aquela irmandade” de quem se é íntimo não sendo, de quem entende e se pode falar sem timidez.

Dir-me-ão que não há originalidade no meu argumento, e que algumas das situações elencadas acima até já são efectuadas. É verdade, e até poderia dar vários exemplos disso, mas são casos isolados e o potencial disponível é muito maior do que é aproveitado. O sentido de servir está fortemente incutido na personalidade da maioria dos veteranos, que se consideram a reserva moral da Nação. Para tanto, bastaria haver “aquele apelo”, a organização e o reconhecimento por parte de quem tem responsabilidades na área.

Quanto aos veteranos, também eles já foram novatos e receberam de outros veteranos o conhecimento que lhes serviu para blindarem o espírito no Teatro de Operações. Essa passagem de conhecimento é uma dívida que não se cobra a pronto de pagamento no campo de batalha, mas paga-se em prestações suaves às novas gerações, passando o conhecimento e a sapiência a que necessita deles.

Assim haja quem os queira receber.

https://www.calameo.com/read/0065696508222547740ef?fbclid=IwAR1JFifBgYL9KeHbnV3LO1kQCVv77A43hUUSR1k19_-R6Bez0mfg2N-eais

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