Durante o cerco a Sarajevo (1992/95), para além das baixas causadas pelos combates entre as forças opositoras, havia também os chamados “alvos televisivos”, que funcionavam como amplificadores do cenário de guerra.
Os bósnios muçulmanos perdiam quase todas as batalhas mas estavam a levar a melhor, em termos da Grande Estratégia, porque olhavam para além do que ocorria no terreno. Tinham uma visão prospetiva, mantendo-se concentrados nos seus objetivos finais e não nos resultados de curto prazo. Tinham descoberto o Centro de Gravidade da decisão internacional: – as salas-de-estar dos lares na Europa e nos Estados Unidos da América, durante o horário nobre dos telejornais. Sabiam também que o ano de 1995 era particularmente importante, porque os Estados Unidos iriam ter eleições presidenciais no ano seguinte e Bill Clinton necessitava de apresentar um grande feito político na sua ação internacional. O fim das hostilidades na Bósnia, sob um acordo promovido pelos Estados Unidos, era uma belíssima arma para ser usada durante a campanha eleitoral.
Os bósnios necessitavam de imagens fortes, que indignassem telespectadores ocidentais, para que estes exigissem aos seus políticos o fim das hostilidades.
Entre os Capacetes Azuis de Sarajevo, havia mesmo uma regra não escrita que dizia:
–“Mantém-te longe dos cameramen, se não quiseres ser abatido ao vivo.”
Os Franceses que o digam … perderam vários soldados dessa forma. Não se passava nada até aparecerem os jornalistas e, após estes colocarem as suas câmaras a filmar, os snipers entravam em ação.
No auge da Guerra Fria (anos 50) os Países Aliados (NATO) temiam uma invasão terrestre do Pacto de Varsóvia apoiado no tremendo número de carros de combate que os Soviéticos tinham. Para travar essa invasão teria de haver (especialmente na Alemanha e Itália) uma frota de aviões de combate dedicados a destruir carros de combate e respectivos apoios logísticos na linha da frente Alemã/Italiana. As distâncias a percorrer não eram grandes mas a frequência dos voos deveria ser elevada, com largada de armas rápidas na zona de combate. Desta forma, a nova aeronave embora subsónica deveria de ser rápida (mach 0.95), de baixa manutenção, muito manobrável a baixa altitude, que pudesse operar a partir de pistas curtas improvisadas (auto-estradas), com quatro metralhadoras 12.7 mm ou dois canhões de 30 mm e bombas/rockets, com uma autonomia de 280 Km e 10 min. sobre o alvo. A FIAT (Fabbrica Italiana Automobili Torino) respondeu ao desafio com o FIAT G-91. A República Federal da Alemanha operou 460 G-91 e a Itália 229, nas várias configurações que a aeronave teve.
Portugal comprou os seus primeiros (40) FIAT G-91 à Alemanha, para operar nos teatros de operações do Ultramar. A exemplo do que acontecia com as contrapartidas americanas pela utilização da Base das Lajes, também o negócio com os alemães teve nuances de contrapartidas pela utilização germânica da Base de Beja. Entre 1976 e 1982 Portugal recebeu mais FIAT G-91 da Alemanha, tendo a FAP operado perto de uma centena de aparelhos.
O FIAT também foi usado em Monte Real(Falcões) treinando pilotos para a guerra do Ultramar
Durante a Guerra do Ultramar os FIAT operaram em Moçambique (onde, entre outras, surgiu a Esquadra dos Jaguares), em Angola e na Guiné.
Após o conflito ultramarino a FAP organizou duas esquadras equipadas com G-91, a Esq. 301 Jaguares na BA-6 (Montijo) e a Esq. 303 Tigres na BA-4 (Lajes – Açores).
Alcunhado carinhosamente de “porquinho” (porque comia todo o tipo de combustível que lhe dessem, ou qualquer coisa que se lhe atravessasse à frente da entrada de ar da turbina) ou de Gina (G NInety one), os FIAT foram abatidos ao efetivo da FAP em 1993 (quando já só existia a Esq. Jaguares), tendo voado com a Cruz de Cristo nas asas durante 27 anos, onde efectuaram 75.000 horas de voo e ganharam, por duas vezes, o prémio “Tigre de Prata” nos “NATO Tiger Meetings” (top guns) da Aliança.
Legenda (este desenho não está, obviamente,à escala) – 1 Hotel de jornalistas “Holiday Inn”; 2 – Edifício do PTT e Quartel-General da ONU para o Setor Sarajevo; 3 Monte Igman; 4 – Zona Sérvia de Dobrinja; 5 – Avenida dos Snipers; 6 – Quartel-General da ONU para a Bósnia-Herzegovina; 7 – Aquartelamento ONU de Zetra; 8 – Zona Sérvia de Lukavica e Grbavica; 9 – Moradia da equipa de UNMO; 10 Monte “Spiky Rock”; 11 – Monte Trebevic.
No início de Agosto de 1995, entrámos em Sarajevo via Monte Igman, porque o Aeroporto estava fechado ao tráfego aéreo. Por todo o lado havia muito lixo, pedaços de prédios e restos de viaturas automóveis. Só o vento, ou a deslocação de ar provocada por um eventual carro da ONU que passasse, fazia com que os papéis abandonados no pavimento se movessem de um sítio para outro. Onde o lixo se concentrava um pouco mais, subia uma coluna de fumo por alguém lhe ter colocado fogo. Era a única forma de evitar pestes de animais que provocavam doenças na população da Cidade. Também havia, obviamente, corvos e gralhas a ajudar na limpeza das lixeiras.
Nas janelas e varandas, que não estavam voltadas para o lado sérvio (portanto protegidas do fogo dos snipers), havia vasos e floreiras onde, em vez de plantas de jardim, cresciam vegetais comestíveis. Cenas desesperadas de sobrevivência de uma população sitiada. Ouviam-se com regularidade disparos de armas automáticas ligeiras, intervalados por armas pesadas. Ocasionalmente ocorria uma explosão à distância. Entre os altos edifícios de apartamentos havia áreas de vivendas familiares, que quebravam a obstrução aos raios solares deixando a luz entrar nas ruas imundas de lixo. Todos os objetos em madeira, sendo mobiliário público ou privado, que não fossem absolutamente necessários, tinham sido há muito tempo transformados em lenha para aquecer o inverno ou cozinhar a parca comida que aparecia na Cidade. Os antigos canteiros municipais, que anteriormente embelezavam as ruas com plantas e zonas verdes, estavam votados ao abandono e transformaram-se em pequenas selvas com grandes arbustos. Nas ruas pouco frequentadas, cresciam ervas altas nas uniões do pavimento. Um cenário de deserção urbana pós-apocalíptico.
Conforme se ia penetrando na zona central da Cidade, começavam a ver-se mais pessoas nas ruas, tentando levar uma vida adaptada àquele situação. Em certas ruas apontadas às colinas circundantes, havia contentores marítimos, carros ligeiros e autocarros estropiados, empilhados uns em cima dos outros, procurando fazer um muro à visibilidade dos atiradores furtivos. Onde não havia espaço para colocar os veículos, era usada a alternativa de, a partir dos pisos superiores dos edifícios de ambos os lados da rua, atravessar uma sequência de cordas com todo o tipo de longos panos, cortinas, oleados e alcatifas penduradas, para obstruir a visibilidade dos snipers. Era na sombra desses obstáculos visuais que os peões transitavam, como um carreiro de formigas que não se desvia do trajeto.
Em algumas pontes, jardins públicos e esquinas de ruas, havia um sinal de trânsito que eu nunca tinha visto – “Pazi Snajper” [cuidado sniper]. Significava que, após aquela esquina, a próxima rua era considerada uma zona de morte, que estava na mira telescopia de uma espingarda de precisão a longa distância, de um sniper sérvio.
Em certos locais, como por exemplo junto ao hotel Holiday Inn, onde residiam quase todos os jornalistas, havia uma outra versão cuja tradução dizia:
– “Opasna zona , RUN or RIP” (Zona Perigosa – Corre ou Descansa Em Paz).
Era um aviso com um toque de humor negro, misturando a língua servo-croata – Opasna zona [Zona perigosa] com o Inglês – RUN [corre] or [ou] R.I.P. – o acrónimo fúnebre para Rest In Peace [Descansa em Paz].
Viam-se também muitos sacos de areia empilhados em trincheiras elevadas, para proteção das entradas dos edifícios. As grandes vitrinas das montras comerciais estavam tapadas por placas retangulares, em betão armado pré-fabricado, colocadas com a base menor no chão e inclinadas sobre o prédio que procuravam proteger. Nos edifícios altos, os pisos superiores estavam expostos ao fogo dos sérvios e exibiam a prova de uma guerra sem limites. Era como se alguém tivesse derramado um ácido poderosíssimo sobre os prédios, que os fosse desfazendo de alto abaixo. Quanto mais elevado era o andar, mais corroído estava. As paredes ostentavam as perfurações das balas e, em alguns sítios, ainda fumegantes, viam-se grandes buracos resultantes dos impactos diretos de projéteis de artilharia. Na generalidade, não havia vidros nas janelas e, em muitos casos, estava impresso a negro nas paredes exteriores o sinal de ter havia um fogo naqueles cómodos.
Onde parecia haver habitantes, os vidros eram substituídos por plásticos, com o símbolo da agência ONU para os refugiados – UNHCR – a qual oferecia rolos de plástico especificamente para esse efeito. Quanto mais exposta às colinas circundantes a casa estivesse, mais castigada pela guerra a sua estrutura estaria. Em Sarajevo, ter uma casa com uma linda vista para a montanha, era sinónimo de morte.
Sarajevo estava cercada por colinas e em quase todas elas havia tropa sérvia a bombardear a Cidade.
Legend (this drawling is, obviously, not to scale): 1 –Hotel Holiday Inn (international media HQ); 2 – PTT building and UNPROFOR HQ for Sector Sarajevo; 3 Mount Igman’s descent road; 4 – Serbian area of Dobrinja; 5 – Sniper Alley; 6 – UNPROFOR HQ for Bosnia-Herzegovina; 7 – UN Compound in Zetra; 8 – Serbian area of Lukavica and Grbavica; 9 – UNMO Team house; 10 – Mount “Spiky Rock”; 11 – Mount Trebevic.
This was the way I saw Sarajevo in August 1995, just before NATO’s airstrikes: There was domestic trash, parts of automobiles and smithereens of buildings everywhere. Due to the war, no one was collecting the trash. Crows and rats were proliferating among all that filthiness. The gardens and urban green spaces were abandoned and transformed into little jungles, with big bushes and all sort trash hanging from the dry vegetation, a perfect hideout for unpleasant animals. Only the wind would sweep the papers and rolls of dry vegetation away.
In certain areas, covered by a building from the snipers’ fire, small garbage piles had been set on fire by some courageous citizen. We could see the smoke coming out of the dark stack, together with the stinky smell. Burning the trash was the only way to avoid a plague.
On the buildings hidden from the Serbian outskirts, the verandas and the windows had flower vases but, instead of flowers, there were eatable vegetables.
All urban public furniture made of wood, such as garden benches, fences, lamp posts, etc., had been removed and used as firewood. Home furniture also had the same destiny; improvised fireplaces for cooking and home heat production. Only the essential woodcraft was kept away from the fireplace.
Those were desperate scenes of a population trying to survive a blockade, for more than three years. There was a constant background sound of automatic rifles bursts, the rhythmic fire of heavy guns and an occasional explosion.
Certain street corners and public spaces had a traffic sign Alex hadn’t seen before – “Pazi Snajper” – Caution snipers. That sign announced the “kill zone” of a sniper – a place where someone had been shot before.
Close to Hotel Holiday Inn, on Sniper Alley, there was another version of the sniper warning sign, with a touch of black humor: – Opasna Zona– RUNor R.I.P.– [Danger Area – Run or Rest In Peace(die)].
O Spitfire será provavelmente uma das aeronaves mais simbólicas da aviação. Era um caça magnifico que serviu em várias Forças Aéreas; diz quem teve a oportunidade de voar estas aeronaves (ainda há Spitfires a voar havendo mesmo uma versão adaptada para um passageiro), que a sua manobralidade é excelente. As aeronaves Portuguesas (em número superior a 100 unidades) vieram ao abrigo da utilização do Arquipélago dos Açores (Lages) como ponto de apoio para as forças aeronavais Britânicas na Segunda Guerra Mundial.
Spitfires Portugueses, da Base da Ota (1944/52) em patrulha sobre o Cabo de São Vicente
Os primeiros Spitfire Portugueses chegaram em 1942, ficando baseados inicialmente na Base Aérea 3 (Tancos) e, em posteriores entregas, na Base Aérea 2 (Ota). A frota Spitfire Nacional foi abatida ao efectivo em 1955, quando em que as ultimas aeronaves já só estavam a voar na BA 1 (Sintra) como avião de instrução para alta performance.
Durante a segunda metade dos anos quarenta, com 112 Supermarine Spitfire, aos quais se juntaram 140 caça-bombardeiros Hawker Hurricane, Portugal dispôs de um respeitável poder aéreo, jamais igualado. Esse poder aéreo justificava-se plenamente porque Hitler planeava atacar Gibraltar (Operação Félix) e Portugal seria invadido (com o apoio de Divisões Espanholas) caso os reforços Ingleses a Gibraltar desembarcassem na costa Portuguesa. A Operação Félix só não chegou a ocorrer por desentendimentos de contrapartidas com Espanha.
O secretário-Geral das Nações Unidas – António Guterres – disse recentemente: “O conflito Sírio entrou no seu 10º ano, contudo a Paz continua a ser uma ilusão. Este conflito brutal causou um custo humano inconsciente e provocou uma crise humanitária de proporções monumentais”.
Em 2012,durante uma missão das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) recebi instruções para coordenar e facilitar junto das autoridades aeronáuticas da ISAF (NATO), em Cabul, o envio urgente de 60 carros todo-o-terreno blindados para a Síria. Conduzi pessoalmente parte desses veículos para dentro dos aviões de carga que, durante vários dias, vieram a Cabul buscar a preciosa carga para o sucesso da ONU na Síria. A UNAMA juntava-se assim ao esforço mundial da ONU para ajudar a resolução do conflito Sírio, enviando uma parte importante do seu parque automóvel para a sua missão irmã em Damasco.
Embarque para Síria de 16 veículos blindados por cada Boeing 747 cargo -Cabul 2012
Contudo, passadas algumas semanas foi a desilusão total quando soubemos que a situação de segurança na Síria se tinha degradado de tal maneira que tiveram de suspender as actividades da ONU naquele País, e evacuar os capacetes azuis. Os 60 carros blindados da UNAMA ficaram lá, .., sabe Deus nas mãos de quem e com que finalidade.
Passados quase 10 anos do início do conflito, a guerra na Síria não decresceu de intensidade, muito pelo contrário; passou a envolver potências estrangeiras, com nuances da Guerra Fria a terem tempo de antena mediática.
Porém, algo menos noticiado e, na minha opinião muito perigoso, tem vindo a ocorrer com consequências potencialmente desastrosas para todo o mundo. Aparentemente, as forças em conflito na Síria tinham um “apetite especial” por atacar e destruir instalações Hospitalares. Segundo um relatório das Nações Unidas mais de metade dessas instalações e equipamentos foram destruídos.
Simultaneamente, os movimentos de pessoas deslocadas das suas zonas residenciais atingiu números astronómicos (perto de dois milhões somente na região de fronteira com a Turquia). A Turquia tem dezenas de milhares de refugiados Sírios dentro do seu território, servindo de tampão para a União Europeia; situação que Ancara ameaçou poder vir a deixar de manter, como forma de pressão política para a União Europeia. Agora vem a derradeira pergunta, actualizada aos mais recentes acontecimentos: “Como é que tudo isto reage à pandemia do Corona vírus?”
Concentrações de pessoas sem qualquer tipo de protecção contra a inclemência do clima; sem apoio de infra-estruturas médicas; com o risco elevadíssimo de contágio pelo novo vírus; às portas da Turquia que, por sua vez, tem uma população imensa com forte implementação na Europa. Como é que isto vai ser?
Ou me engano muito, ou Donald Trump vai faltar-se de rir quando vir o seu muro a ter novas versões nas fronteiras externas da Europa.
Ou seja … entandam de uma vez que as guerras dos outros … são as nossas guerras também. Parem!
No seguimento do sucesso tático dos helicópteros Alouette II e III em África, a Força Aérea recebeu, entre 1969 e 1971, 13 helicópteros Sud-Aviation SA-330 Puma. Parte dessas aeronaves seguiram para a Base Aérea 9, em Luanda (Angola) e outra parte para o Aeródromo Base n.º 7 em Tete (Moçambique).
O SA-330 Puma era um helicóptero biturbina, tripulado por 2 pilotos e um mecânico, com capacidade de transportar até 20 militares equipados para combate. Em alternativa podia ser configurado para transportar 8 passageiros VIP ou 16 passageiros em bancos normais. Na versão de evacuação sanitária podia transportar 6 macas e 4 assistentes. Na configuração de carga transportava 2.300 Kg de carga interior ou 2.500 Kg de carga suspensa. Tinha um raio de acção de 560 km, velocidade máxima de 310 km/h e um tecto de serviço de 5.600m.
Após regressarem da Guerra do Ultramar, os Pumas foram colocados na Base Aérea 6 Montijo (Esquadra 751) e na Base Aérea 4 Lages – Açores (Esquadra 752). Em 2005 a frota Puma foi desactivada devido à aquisição do novo helicóptero EH-101 Merlin. Contudo, devido a dificuldades de manutenção dos EH-101, em 2008, 4 dos Pumas foram reintroduzidos no arsenal da Força Aérea (Operação Fenix), voltando a voar na BA4 na Esquadra mista (SA-330 e C-212) 711.
Dedicados à Busca e Salvamento, após o conflito ultramarino os SA-330 salvaram 4280 vidas, 2482 das quais, no arquipélago dos Açores e, também nos Açores, nasceram a bordo dos Pumas 16 crianças. A frota Puma teve o seu fim (final) em 2011.
O Museu do Ar tem um dos Pumas em exposição estática em Sintra, com a particularidade desta ter sido a aeronave onde sua Santidade o Papa João Paulo II voou quando esteve em Portugal. Uma vez que o Puma é uma aeronave cuja plataforma fica relativamente elevada em relação ao solo quando aterrado, e como sua Santidade trajava as vestes tradicionais de Papa, não tinha amplitude de pernas para subir abordo, pelo que teve de se fazer umas escadinhas de dois degraus em madeira. Depois de Sua Santidade voltar ao Vaticano, as ditas escadinhas desapareceram na voracidade religiosa de quem teve acesso às mesmas.
After the establishment of Dayton’s Agreements (December 1995) to end the conflict in Bosnia Herzegovina, the UN (UNPROFOR) handed over to NATO ‘s Implementation Force (IFOR) the task of supervising the implementation of the Agreement. IFOR had approximately 60.000 soldiers in its Area of Responsibility (AOR). One year after that, IFOR had successfully finished its mission and reached its “end-date”, and NATO implemented a Stabilization Force (SFOR), which was subsequently activated on 20 December 1996, the date the IFOR mandate expired. Initially, SFOR’s size was around 32,000 troops, approximately half that of IFOR, and later reduced even further to 12.000. SFOR operation was brought to a successful end on 2 December 2005, and the European Union to over from NATO with a (EUFOR) force of 7.000 military personnel, with Operation Althea.
Flag ceremony in Camp Butmir – Operation Althea (2007)
With fewer troops in the AOR EUFOR had to have eyes and ears throughout the country to provide enough reaction time to react. Therefore, in February 2007, the troop levels was educed to around 1,600 but the Althea (the healing Greek Goddess) incremented its overall situational awareness by following the example of the United Nations Military Observers (UNMO) teams model, and implemented 45 Liaison and Observation Teams (LOTs) throughout the Country.
However, unlike the UNMO system, the LOT did not have a multinational constitution and they were not fully controlled or financed by the European Union. LOT houses were equipped and financed by the Troop Contributing Nation, and the personnel of the LOT were all from that same nation. The constitution of the Team (team member numbers, ranks, male/female, expertise, weapons, vehicles, etc.) was all a National responsibility. The LOT modus operandi was the result of bilateral agreements between the TCN and the Government of Bosnia Herzegovina. The EU (Althea) had the tactical control of their activities in the AOR.
The LOTs work was critical for Althea’s the Command and Control, because (much like the UNMO for the UN) they were a key element of the EUFOR Situational Awareness (SA). They were the ‘feet on the ground’ of the mission, living in rented houses among the population; hence the principal visible presence of EUFOR throughout the country.
LOT tasks were:
Reports on the situation in their area of operations (AOO);
Investigate and prompt response to short notice Requests for Information (RFI) about events in their AOO;
Exercise liaison with International Organizations and with Bosnia Herzegovina’s Organizations Local authorities (Civ/Mil);
Be prepared to support information and/or media activities as tasked;
Maintain up to date plans for emergencies and evacuation.
Although it was a National responsibility to define the constitution of the LOT, the composition of such teams should encompass the capability to maintain 2 Patrols in the field, cover LOT House security and communications duty on a 24 hour basis and allow for personnel on leave. Strengths would normally vary between 6 and 10 military personnel (lead by a Lieutenant Colonel), along with 3 to 5 Local Staff. Each LOT should be able to maintain at least 75% of its strength in the LOT AOR at all times.
In 2012, following another force restructuring, Operation Althea was further reduced to just about 600 staff members, mainly dedicate to collective and combined training of the Bosnian Armed Forces.
T-6 do MUSAR com a pintura do 50º Aniversário da Força Aérea (2002)
O North American T-6 Harvard é uma aeronave icónica em qualquer lado do Mundo; desde a Segunda Guerra Mundial até à actualidade. Foram produzidos cerca de 17.000 unidades em vários países, sob licença Americana, tendo voado em múltiplas configurações em mais de 50 forças armadas. Os primeiros T-6 portugueses chegaram em 1947, para equipar as unidades de instrução de pilotagem do Exército (Aeronáutica Militar), na BA-1 – Sintra. A Marinha Portuguesa seguiu o exemplo e também adquiriu T-6 para instrução, no Centro de Aviação Naval de São Jacinto. Em 1952, com a criação da Força Aérea Portuguesa, todos esses aparelhos transitaram para a FAP, tendo sido adquiridos ainda mais T-6.
T-6 sobrevoando a Base Aérea de Sintra (anos 50)
Com o conflito nas Províncias Ultramarinas, a FAP viu-se forçada a adaptar os T-6 em aviões de combate, uma vez que Portugal estava sob embargo de armas imposto pelas Nações Unidas. Os T-6 da FAP combateram em Angola, Guiné e Moçambique. Os T-6 portugueses foram abatidos ao efectivo da FAP em 1978, continuando a voar no Museu do Ar por mais de duas décadas. A FAP chegou a ter mais de 250 T-6 a voar nos vários teatros de operações. Atualmente nenhum T-6 português está em estado de voo (em Portugal), mas o Museu do Ar tem várias unidades em exposição e reservas museológicas.
A certain day, in 2013, at the United Nations civilian compound in Afghanistan’s Central Highlands – Bamyan – there was a rumor that someone was going to conduct an old style Christian catholic mass, somewhere down town.
Bamyan streets (2013)
The invitation came in a closed door environment, with a whispering voice, as if it was “classified information”. In fact, the subject deserved such precautions because that was the “Islamic Republic of Afghanistan”, where the official practice of other religions was not permitted.
– “A Christian mass? Here? Isn´t that illegal? – I asked surprised.
– “Shush!” – Imposed my interlocutor. – “You want to come or not?”
– “Off course I want to come! When do we leave?” – I answered, expecting yet another afghani adventure.
– “We leave at sun-set. Make sure you don’t wear a military uniform.”
In Afghanistan, the only place officially authorized to conduct a Christian Mass was the chapel inside the Italian Embassy. The reason for that exception was because Italy was the very first country to recognize Afghanistan’s independence, in 1919. In thankfulness of Italy’s recognition, the Afghani King – Amanullah Khan – asked Rome what they would like to receive as a token of appreciation. That was a delicate question; it would have to be accepted – otherwise it would offend the King – and it would have to be symbolic. It would also have to bring some sort of special primacy to the Italian Embassy in Kabul, regarding the rest of the international diplomatic corps. Therefore, the Italian Government asked permission to conduct (officially) Christian Catholic Mass inside their Embassy’s perimeter, and that the Mass could have the audience of other people beyond the Italian community. The request was accepted as an exceptional measure, and all the international staff started to go on Sundays to the Italian Embassy. Even during the Taliban hardliner domination that ceremony was exceptionally permitted.
Bamyan region is inhabited by the Hazara ethnic group (descendants of Genghis Khan’s Mongols), which are known to be very friendly and permissible to westerns’ attitudes. Nevertheless, it was not a good idea to abuse one’s luck, and the entire subject was handled in confidentiality. It felt like the medieval Roman times, when the first Christian believers started their cult.
When twilight descended over Bamyan, a small group of five left the UNAMA compound, in a vehicle, without fuss. We carried a basket with dinner for ten, denouncing we were not going to have an evening picnic just for us. Closer to our destination, we parked the vehicle inside the premises of a friendly NGO, and continued on foot to our terminus. We moved silently, among the narrow streets of mud-bricks walls, trying not to stumble in the irregular pavement covered with snow patches. The moon had difficulty to show us where to go, and occasionally we had to use a flash light to find our way. It was cold; hence we were all wearing our Afghani blankets – “Patu” – which increased the medieval environment of our quest. The only sound was a distant dog, barking to denounce some wild animal that had descended from the surrounding mountains to heat on Bamyan’s garbage.
Our silence was broken when we arrived at a large gate, and gently announced our presence at the door. There were no passwords or special signs, we were expected and we couldn’t full any one; it was obvious what we had come for.
– “Good evening.” – Said the man inside the gate, in perfect English. – “Please come in; Father Andrew is waiting for you.”
Father Andrew was a Jesuit missioner, working on humanitarian support in Bamyan region. There were several Jesuit missioners in the house, constituting a nucleus of their order for that region. The Jesuits had traditions in Afghanistan, from the XVI Century. It all started with a small group headed by the Portuguese missioner Bento de Gois (1581) who practice his religion in Western Asia (no days Afghanistan). However, Father Andrew and the rest of his (2013) Jesuits were from the Philippines.
We crossed the large yard and, upon arriving at the house, we took off our shoes and delivered the food to another employee, which received us with an ample “Assalam-u-Aleikum” (may the peace be with you) placing his right hand over his heart while smiling at us. That was a gesture of truthfulness and hospitality.
The fragile electric light was coming from a (conveniently) noise generator, just outside the window. No one outside the house could really hear what was being said inside those walls, due to that generator. Three Jesuits and two afghan employees awaited the UN staff. After the fulfilling the arriving protocol of greetings, everybody set down over wide pillows on the floor, which covered with exquisite Persian carpets, and tea was served.
Some moments after, the employees received an eye signal from one of the Jesuits, and left the room. Father Andrew started to explain the ceremony that was going to occur, it was going to follow the old style service, were the scriptures were supposed to be “interpreted” by the audience, rather than simply read/announced by Jesus’ minister. He then invited the group to follow him.
Behind a curtain there was a low door, giving access to the basement´s stairs. At the basement, the other two Jesuits dragged away a closet revealing yet another entrance to a dark place. That hall in the wall was no more than 1,5 meters high and 90 centimeters wide. A narrow entrance to a dark room without any windows. That was the “Temple”. Father Andrew entered first and lighted several candles, in order for the rest of the people to see their way in. The reduce dimensions of the “door” forced the audience to enter one-by-one, with a deep bow. Inside the temple, it looked like an igloo. The room had been excavated on the sandy rock, with no more than nine square meters, with wall niches instead of windows, and a ceiling dome denouncing the help of mother nature in the construction of the Temple. Ceiling and walls were all painted in white, there were aromatic candles lighted on the niches, and the floor was completely covered with beautiful Persian carpets and large pillows. Opposite to the entrance there was a low table, which was used as the Temple’s Altar. Everybody set and the closet was pushed back to its original place, sealing the entrance, by the afghan employees.
The ritual started, in English, with the reading of the Bible. At a certain moment, Father Andrew stopped and assigned to each one on the audience the role of a character in the scene he had just read. It was time to interpret the Bible. After a meditation moment about each one’s character on the scene, everybody expressed what his/hers interpretation and feelings. That was no more a normal Mass; it was an “Anonymous Christian Gathering”.
–“Hello; my name is Judas and today I have sinned.”
It was intense!
The liturgy ended with the regular ceremonial acts, upon which we all returned up to the ground floor and had dinner, very much alike the Last Supper scene, both on the layout and the ritual.
That must have been one of the most enriching experiences I have in Afghanistan. It was just like time travel, back to the Roman Empire. The first Christians also had to conduct their ceremonies in a clandestine way, with secrecy, in reduced groups, inside small caves under the night’s shadowed protection.