Em 1992, numa das primeiras missões de Apoio à Paz que as Forças Armadas Portuguesas efectuaram, um grupo de 10 oficiais da Força Aérea Portuguesa partiu em missão da ONU para Angola, a fim de gerir os 54 helicópteros e 12 aviões que as Nações Unidas haviam contratado para o apoio às primeiras eleições livres Angolanas. Após receberem as necessárias instruções, em Luanda, esses 10 oficiais foram distribuídos por outros 10 aeródromos para cobrirem todo o território Angolano.

Com essa ampla distribuição territorial, os oficiais portugueses aperceberam-se que quase todas as infraestruturas aeronáuticas do País estavam fortemente militarizadas. A razão dessa realidade não só era devida à guerra civil com a UNITA, mas também devido aos ataques aéreos da Força Aérea da África do Sul (SAAF). Efetivamente, as incursões militares Sul-Africanas em Angola, durante os anos 70 e 80, eram uma constante. O motivo de tal atitude era a existência, em território angolano, de acantonamentos de guerrilheiros da SWAPO (South West Africa People Organization). Estes guerrilheiros usavam Angola, alegadamente com o consentimento do Governo de Luanda, para atacar o território Sul Africano com táticas terroristas. Enquanto Luanda apoiava a SWAPO, Pretória apoiava a UNITA. Desta forma, certos aspetos da guerra civil Angolana tiveram nuances de guerra convencional entre dois Países vizinhos. As incursões do Exército de Pretória em busca de guerrilheiros SWAPO tinham, regra geral, cobertura aérea da SAAF. Os Sul-Africanos fizeram dezenas de operações aéreas, com milhares de saídas de aeronaves de combate e apoio logístico em território angolano. A Força Aérea Angolana, que na altura gozava de um forte apoio da União Soviética e de Cuba, enfrentava as aeronaves SAAF com uma credível capacidade de defesa aérea. Aviões Mirage Sul-Africanos e MIGs Angolanos combatiam e eram abatidos, com regularidade, nos céus angolanos. Por todo o lado havia sistemas de misseis e batarias antiaéreas, esperando uma incursão dos helicópteros da África do Sul. Foi uma guerra aérea pouco conhecida, mas de dimensões consideráveis.
