O Léxico da ONU

Em Janeiro de 1995, a missão das Nações Unidas para monitorizar o(s) conflito(s) na ex-Jugoslávia – UNPROFOR – tinha 38.599 pessoal militar, oriundo de 37 Países Contribuidores de Forças (Troop Contributing Countries TCN): Argentina, Bangladesh, Bélgica, Brasil, Canadá, Colômbia, República Checa, Dinamarca, Egipto, Finlândia, França, Gana, Indonésia, Irlanda, Jordânia, Quénia, Lituânia, Malásia, Nepal, Países Baixos, Nova Zelândia, Nigéria, Noruega, Paquistão, Polónia, Portugal, Rússia, Eslováquia, Espanha, Suécia, Suíça, Tunísia, Turquia, Ucrânia, Reino Unido, Estados Unidos e Venezuela.

Dos 38.599 militares, 684 (normalmente capitães OF2) eram Observadores Militares da ONU (UNMO) que operavam em equipas (teams) internacionais. A constituição dos teams de UNMOs deveria reflectir imparcialidade aos olhos das forças beligerantes no terreno, pelo que a ONU usava uma metodologia na constituição dos teams conhecida por “Balanço Nacional” (National Balance). A fim de se assegurar que não havia interferências nem agendas escondidas das potências estrangeiras, a ONU fazia questão de misturar na mesma equipa UNMO oficias Europeus com Africanos e Asiáticos; misturar culturas e crenças religiosas; e não repetir a mesma nação dentro da mesma equipa. Isso dava um “sabor” muito particular às equipas de UNMOs.

Esta mescla de culturas tinha muitas vantagens na busca de soluções, mas acarretava dificuldades no relacionamento operacional, uma vez que diferentes continentes tendiam a ter procedimentos e conhecimentos militares muito distintos. A própria linguagem ONU era uma séria restrição a qualquer principiante na UNPROFOR. A primeira causa de baixas psicológicas era o próprio Léxico da UN.

Se uma expressão era usada mais de três vezes, passava a ter um acrónimo. Havia mesmo adjectivos e verbos feitos a partir de acrónimos.

Publicado por Paulo Gonçalves

Retired Colonel from the Portuguese Air Force

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