A problemática Afegã.

De acordo com a agência noticiosa Al Jazeera, a Policia Intel./Informações Afegã (National Directorate of Security – NDS) prendeu na última sexta-feira (03ABR2020) o líder do ISIL no Afeganistão – Aslam Farooqi – juntamente com o seu Estado-Maior.

Acto contínuo, e de acordo com a mesma agência noticiosa, os Taliban decretaram que os acordos que haviam feito com os Estados Unidos deveriam ser suspensos, uma vez que os americanos continuam a efectuar ataques com drones às posições Taliban e os prisioneiros que o Governo Afegão tem em seu poder ainda não foram libertados.

Tudo o que se faz no Afeganistão está relacionado com … todo o resto. Não há pedra que se possa mover, sem que um rio tenha de mudar de leito. O país é uma manta de retalhos solidamente colada pelo cimento dos Séculos. As pessoas nas cidades do interior afegão diriam: “sempre assim foi … porque haveria de mudar agora?”

Num país onde existem tantas entidades étnicas que não dá para seleccionar uma maioria. Nenhuma etnia tem sequer 50% da população; eventualmente poder-se-á considerar uma minoria com maior representatividade  – uma “minoria maioritária” – os Pashtuns. Porém, tudo fica mais difícil se atendermos que as tribos Pashtuns (porque estamos a falar em ambientes tribais) são as mais conservadoras e resistentes à mudança no estilo de vida. O ambiente ideal para os Taliban se refugiarem e desenvolverem, em ambos os lados da “fronteira” Afegã/Paquistanesa.

O problema é que a Comunidade Internacional está a tentar aplicar conceitos de democracia moderna, numa sociedade baseada em tribalismo medieval.

A verdadeira solução terá de ir à raiz dos problemas, cortar as raízes daninhas e criar condições para algo distinto e francamente atractivo para todas as partes (no Afeganistão e no Paquistão). Porém, numa sociedade medieval, ter-se-iam de impor essas mudanças com “punho de ferro”. Algo impossível de se conseguir dentro dos conceitos modernos de democracia e direitos humanos.

Publicado por Paulo Gonçalves

Retired Colonel from the Portuguese Air Force

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