Num dos dias da Força Aérea, onde se fez uma exposição de aeronaves no Centro Comercial de Cascais, ocorreu um episódio que marcou quem estava presente no local. Entrou no Centro um casal sénior acompanhado por seus filhos adultos, e passearam-se distraidamente pelas peças exibidas no recinto. De repente, ao passar em frente a uma das aeronaves expostas, o homem com aspecto mais maduro estancou, caiu de joelhos no chão e chamou a família. Estava em frente de um Alouette III exactamente igual àquele que o tinha salvo na Guerra do Ultramar, quando jazia ferido no meio do capim durante uma emboscada. A admiração daquele homem por aquela máquina era tanta, que não conseguiu conter a emoção e começou a chorar… ali … no meio do Centro Comercial, em frente ao “seu” AL III.

Este é o “fado” do helicóptero mais famoso da Força Aérea Portuguesa; vir a ser recordado com amor por muitos por ter salvo vidas, odiado por outros por as ter ceifado na sua versão “Heli-canhão”, admirado por milhares nas acrobacias dos Rotores de Portugal e respeitado por todos os pilotos militares, que aprenderam a arte de voar em asa rotativa nos últimos 57 anos.

O Sudaviation – SE 3160 Alouette III entrou ao serviço da Força Aérea Portuguesa em 1963, a fim de complementar e incrementar o sucesso que o seu congénere mais fraco – o Alouette II – estava a ter nos teatros de operações ultramarinos. A FAP operou 142 AL III no Ultramar, sendo estes caracterizados por serem aeronaves muito manobráveis e versáteis que desempenhavam cabalmente as missões de heli assalto, salvamento, evacuação sanitária, resgate em ambiente naval com guicho, patrulhamento, observação/comando e controlo aéreo, transporte tático e instrução de voo.
O AL III pode transportar 6 passageiros, ou 2 macas e 2 passageiros, ou 800 Kg de carga interna, ou ainda 750 Kg em carga suspensa. No que toca a armamento, pode ser equipado com um canhão lateral de 20 mm de calibre e um sistema de lança-foguetes com capacidade para 12 foguetes de 2,75″.

Para além da Guerra do Ultramar, os Alouette III da Esquadra 552 (Zangões) foram das poucas aeronaves Portuguesas a manter um destacamento permanente numa missão de Manutenção de Paz das Nações Unidas, nomeadamente em Timor-Leste. Em 2019 a FAP adquiriu o novo helicóptero Koala, o qual virá substituir os Alouette III, entrando estes últimos em “phase out” gradual, até à sua completa extinção.

