História aeronáutica Portuguesa -o FIAT G-91

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FIAT G-91 Jaguares

No auge da Guerra Fria (anos 50) os Países Aliados (NATO) temiam uma invasão terrestre do Pacto de Varsóvia apoiado no tremendo número de carros de combate que os Soviéticos tinham. Para travar essa invasão teria de haver (especialmente na Alemanha e Itália) uma frota de aviões de combate dedicados a destruir carros de combate e respectivos apoios logísticos na linha da frente Alemã/Italiana. As distâncias a percorrer não eram grandes mas a frequência dos voos deveria ser elevada, com largada de armas rápidas na zona de combate. Desta forma, a nova aeronave embora subsónica deveria de ser rápida (mach 0.95), de baixa manutenção, muito manobrável a baixa altitude, que pudesse operar a partir de pistas curtas improvisadas (auto-estradas), com quatro metralhadoras 12.7 mm ou dois canhões de 30 mm e bombas/rockets, com uma autonomia de 280 Km e 10 min. sobre o alvo. A FIAT (Fabbrica Italiana Automobili Torino) respondeu ao desafio com o FIAT G-91. A República Federal da Alemanha operou 460 G-91 e a Itália 229, nas várias configurações que a aeronave teve.

Portugal comprou os seus primeiros (40) FIAT G-91 à Alemanha, para operar nos teatros de operações do Ultramar. A exemplo do que acontecia com as contrapartidas americanas pela utilização da Base das Lajes, também o negócio com os alemães teve nuances de contrapartidas pela utilização germânica da Base de Beja. Entre 1976 e 1982 Portugal recebeu mais FIAT G-91 da Alemanha, tendo a FAP operado perto de uma centena de aparelhos.

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O FIAT também foi usado em Monte Real(Falcões) treinando pilotos para a guerra do Ultramar

Durante a Guerra do Ultramar os FIAT operaram em Moçambique (onde, entre outras, surgiu a Esquadra dos Jaguares), em Angola e na Guiné.

Após o conflito ultramarino a FAP organizou duas esquadras equipadas com G-91, a Esq. 301 Jaguares na BA-6 (Montijo) e a Esq. 303 Tigres na BA-4 (Lajes – Açores).

Alcunhado carinhosamente de “porquinho” (porque comia todo o tipo de combustível que lhe dessem, ou qualquer coisa que se lhe atravessasse à frente da entrada de ar da turbina) ou de Gina (G NInety one), os FIAT foram abatidos ao efetivo da FAP em 1993 (quando já só existia a Esq. Jaguares), tendo voado com a Cruz de Cristo nas asas durante 27 anos, onde efectuaram 75.000 horas de voo e ganharam, por duas vezes, o prémio “Tigre de Prata” nos “NATO Tiger Meetings” (top guns) da Aliança.

Publicado por Paulo Gonçalves

Retired Colonel from the Portuguese Air Force

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